segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

À conversa com a minha sobrinha #4 - lições que a miúda nos dá

Depois de uma ida ao parque com os dois, ele chora porque não quer deixá-la. Ultimamente chora sempre quando tem de a deixar. Ela retribui a emoção (de tristeza) e reclama porque não quer deixá-lo. 
A mãe, apoiada por mim, e de maneira a evitar birras, diz-lhe: Filha, ele é mais pequenino, assim pioras a situação, não lhe digas que não queres ir embora. 

- Mãe, tenho que dizer o que sinto. Não é correto mentir. - responde-lhe a miúda.
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Somos (muito) culpados por eles aprenderem a camuflar emoções e sentimentos, não somos?

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

À conversa com o meu filho #12 - Coisas e conversas / Barómetro de crescimento #10 - 40 meses de vida

- Meu amor anda cá - chamo-lhe meu amor muitas vezes.
- Diz minha amora -  responde-me, baralhado com isto do masculino vs feminino.

- Não faças isso, não sejas porquinho. Não queres que te chamem porquinho, pois não?- perguntam-lhe.
- Sim, quero que me chamem Porquinho Mais Velho - ele e a loucura pela história de "Os três porquinhos"; diz sempre que é o porquinho mais velho. Logo, se alguém o chamar de porquinho, ele não se sentirá nada ofendido. Pelo contrário. Convém é que digam que é o mais velho.

- No outro dia, deparando-se com uma dificuldade qualquer (não me lembro muito bem o que era), disse-nos muito empertigado: Ajudem-me, temos de nos ajudar uns aos outros!
Orgulho,orgulho, orgulho! Agora, pego neste seu argumento e de vez em quando lá o relembro em voz alta (e em contexto adequado) para que ele não se esqueça.

- A semana passada perguntou-me pela carrinha do pai. Disse-lhe que a carrinha estava velha e cansada, que tinha ido viver para a beira mar, tal como a história que escrevi aqui.

- Quando o miúdo teve varicela, teve alguns ataques de ternura (excessivos, comparando com a normalidade): apertava-me, abraçava-me e beijava-me o rosto com muita força. Pensei que era para aliviar a comichão, estava sempre a chateá-lo para não se coçar que  pensei que fosse uma estratégia do miúdo.
A varicela já lá vai há muito e ele continua a fazer o mesmo. Talvez o miúdo só quisesse agradecer o facto de eu estar a cuidar dele, o facto de eu aliviar a comichão que ele sentia. Eu é que devo ter perdido a capacidade de ver o lado romântico das coisas, a pureza e a sinceridade das atitudes.
Filho, hoje, dia em que completas 40 meses de vida, agradeço-te por trazeres de volta um bocadinho desta capacidade.

E o que é que eu tenho a dizer sobre ele?
Continua inquieto. Continua traquina. Às vezes faz-nos perder a capacidade de pensar. Às vezes fala "à bebé", julgo que é por conviver com crianças mais novas do que ele na creche e na AMA. Continua a estar com a AMA uma tarde por semana, pelo menos. Continua a ter um sono agitado e a chamar por mim durante a noite. Continua a acordar cedo. Continua a não querer fralda durante a noite. Quando está muito cansado, pouco tempo depois de adormecer, chora impaciente durante algum tempo. Quando acorda, temos sempre uns minutos de mimos reservados para nós. Antes de eu sair de casa beijo-o sempre e ele abraça-me sempre. Tem respostas muito engraçadas (para nós, pais, tudo é motivo de muita graça). Chateia-nos, ralhamos, pede-nos desculpa com o ar mais arrependido de sempre, pede-nos abraços e dá-nos beijinhos - Expressão Dramática, espera por ele. Na escola porta-se bem. Em casa porta-se (muitas vezes) mal. Na escola come tudo e come sozinho. Em casa arma-se em esquisito e pede-nos ajuda para comer muitas vezes. Às vezes tenta despir-se sozinho antes de entrar na banheira: eu consigo sozinho - diz-nos. Às vezes tenta subir as escadas ao colo (3º andar). Trepa muito, ainda ontem escalou uma parede dezenas de vezes - foi a primeira vez que escalou aquela parede, corria feliz da vida e orgulhoso por conseguir fazê-lo; depois, descia o escorrega ao contrário e corria. Fala dos amigos da escola, fala da escola, mas nos últimos dois dias reclamou por não querer ficar lá. Diz que não gosta da Ginástica, mas em casa pula que se farta e tenta dar cambalhotas. Diz que gosta muito de Música. Acho, sinceramente, que ele prefere o professor de Música ao de Ginástica. Perdeu o ar de bebé, talvez pelo corte de cabelo forçado. Já decidi que não cortarei o cabelo ao miúdo nos próximos 10 anos, no entanto prevejo um caminho conturbado e revolto até alcançar o comprimento ideal - quando o vejo de manhã penso sempre que já é Carnaval, tal não é o desalinho que vislumbro.
Este miúdo continua a ser a melhor coisa que me aconteceu na vida. O que é que eu posso dizer mais?

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Os Piratas da Ilha da Armona

Já devia ter contado (aqui) esta história. É uma história que inventámos quando regressámos de férias o ano passado. Ainda hoje a contamos ao Índio Pirata, ainda hoje ele adormece embalado nesta aventura.


O calendário marcava o dia 14 de Agosto de 2016, quando um menino partiu com os seus pais rumo à Ilha da Armona. Durante a viagem conversaram sobre as brincadeiras que pretendiam fazer, sobre os mergulhos que queriam dar, sobre os castelos que tinham intenção de construir. Quando chegaram à Ilha, o menino ficou encantado com a quantidade de barcos que viu: uns grandes, outros pequenos, uns na terra, outros no mar. Quase todos tinham um nome. Cada um tinha a sua cor. Todos estavam ancorados. Ao longe avistou um grande barco, um barco diferente de todos os outros: um barco queimado. O que terá acontecido àquele barco? - perguntou o menino. Pediu a vários moradores da Ilha para lhe contarem a história daquele barco, mas ninguém sabia relatá-la. Com a ajuda dos pais, encontrou o pescador mais velho da Ilha, o Pescador Barbas, que se disponibilizou para lhe contar a verdadeira história do Barco Pirata da Armona - era este o seu nome.

"Há muitos, e muitos anos viviam na Ilha da Armona Piratas Bons, os Piratas da Armona. Todos os dias iam à pesca, traziam peixe fresco para os habitantes da Ilha e viviam em comunidade sem conflitos. Saíam para o mar quando o sol nascia e regressavam pouco antes do meio dia. O único assalto que faziam era ao mar, roubavam-lhe peixe. Num dia de grande pescaria, encontraram no fundo do mar uma arca cheia de moedas de ouro. Há muito que aquele tesouro fora escondido pelos seus antepassados, de maneira a evitarem os assaltos constantes dos Cavaleiros Salteadores das Ilhas Vizinhas.
Com as moedas de ouro que encontraram, os Piratas da Armona decidiram reconstruir as casas mais antigas da Ilha: algumas não tinham portas nem janelas; outras tinham o telhado ratado e buracos nas paredes. Perceberam, passado pouco tempo, que aquele tesouro era insuficiente para reconstruir todas as casas que necessitavam de reabilitação e decidiram partir à procura de novos tesouros escondidos no fundo do mar. Durante a viagem, enfrentaram tempestades, monstros marinhos e peixes gigantes, mas conseguiram encontrar o que tanto procuravam. Já de regresso à Ilha, foram cercados pelos Cavaleiros Salteadores das Ilhas Vizinhas. Lutaram com as suas enormes espadas e com toda a sua força e destreza conseguiram devolver ao mar o tesouro encontrado. Um dia regressariam para resgatá-lo - combinaram.
Durante esta luta, um dos Salteadores atirou uma tocha para o Barco Pirata da Armona e este  acabou por se afundar sem que os seus donos o conseguissem salvar - ardeu e afundou. Os Piratas da Armona atiraram-se ao mar e só pararam de nadar quando encontraram terra firme. Descobriram assim a Ilha Deserta e por lá ficaram até aos dias de hoje. O Barco Pirata da Armona, anos mais tarde, deu à costa e os habitantes da Ilha decidiram tirá-lo do mar e ali ficou, onde tu o vês... É esta a história daquele barco".

Mas tens a certeza que os Piratas da Armona vivem na Ilha Deserta? - perguntou o menino.
Tenho. Em noites de muito frio consigo ver a luz das fogueiras que fazem. - Respondeu o Pescador Barbas.
Tive uma ideia! - disse o menino. Vou escrever uma carta aos Piratas da Armona: informo-os de que o Barco que eles julgam perdido está aqui; peço-lhes para regressarem à Ilha, pois aqui é a sua verdadeira casa; digo-lhes que todos ajudaremos no que for preciso para recuperar o Barco Pirata da Armona. E assim foi, o menino escreveu a carta, enrolou-a com muito cuidado, colocou-a numa garrafa de vidro, fechou-a muito bem e atirou-a ao mar com esperança de que este a levasse até aos Piratas da Armona. Esperou. Esperou. E esperou... Até que um dia viu chegar ao cais dois homens muito altos, com chapéus imponentes e vistosos, com espadas brilhantes e com um papagaio muito falador. Correu até eles com o Pescador Barbas e, com a ajuda de todos os habitantes, recuperaram o Barco Pirata da Armona. Os Piratas da Armona regressaram definitivamente à sua terra e todos os anos, no mês de Agosto, recebiam a visita do Índio Pirata - alcunha carinhosa que atribuíram ao menino que tanto os ajudou.


Filho, é uma história da tua infância. Não vem em nenhum livro, a não ser no livro da tua vida, uma vez que contém pedaços de experiências nossas: passámos férias na Ilha da Armona; visitámos a Ilha Deserta; encantaste-te por um barco que ardeu há muito, mas do qual não sabemos a história; andámos de barco; o pai pescou muito; encontraste, juntamente com a prima, sítios secretos; vimos casas muito bonitas, mas também encontrámos algumas que precisavam de ser recuperadas (até sonhámos em comprar uma)... Em relação ao Pescador Barbas, foi para te apresentar logo a seguir o famoso Barbas do Benfica, já que andavas confuso relativamente à tua preferência clubística. Eu, influenciar-te!? Não, nem pensar, mas qual é o clube maior do mundo? Isso mesmo, é o Benfica.
Só um pormenor, meu amor: o cabelo ali da fotografia era teu, antes de eu lhe meter a tesoura... Desculpa.

Outras histórias nossas adaptadas e/ou inventadas:
- O menino que dizia NÃO a tudo
- O pombo que vivia na nossa varanda
- A viagem na carrinha do Pai Pirata
- Selena, a menina que se indignou com a Lua
- O menino que vestia livros

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A brincar é que a gente (pequena) se entende #18 - Ele não é criado pelo avô, mas brinca muito assim

Ele não é criado pelo avô, mas brinca na rua. Brinca com um carro de madeira que tem um cordel. Brinca com pás e com baldes na areia. Brinca nos escorregas e nas casas de madeira do parque. Corre no jardim como se fosse um jogo: não podemos pisar os buracos. Brinca no coreto. Empoleira-se na estátua que está no jardim (ou tenta; está localizada junto a um lago, não é aconselhável trepá-la sozinho). Mas também vê televisão. Também brinca em casa. Fala sozinho na sala ou no quarto. Constrói puzzles. "Lê" a revista do Panda que o pai lhe comprou. Ouve histórias. Faz teatro de fantoches. Por enquanto não brinca com computadores ou Ipad's, mas eu sei que vai chegar o dia em que vou ter de lhe proporcionar estas experiências. Só espero saber doseá-las.
Num mundo em que a tecnologia domina cada vez mais, não quero deixar de lhe mostrar que ela existe (acho que não o devo fazer), mas quero proporcionar-lhe outras experiências. Quero que valorize a brincadeira livre de ecrãs, a brincadeira criativa (fazer de uma garrafa um barco, por exemplo), a brincadeira informal de rua, a brincadeira construtiva de grupo... E que não nos olhem de lado por isso. 


Imagem retirada da Internet: fonte desconhecida

Tenho encontrado algumas pessoas aqui na terra onde vivo que partilham a preocupação de meter os miúdos a brincar na rua. Mesmo no Inverno. Mesmo quando está frio (não os 3 graus negativos dos últimos dias, vá). E fico mesmo feliz por isso. Começamos a ser alguns. Um dia destes seremos muitos.
Queremos os miúdos a brincar na rua!
Queremos os miúdos a brincar na rua!
Queremos os miúdos a brincar na rua!
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Sem ecrãs. Ir para o Jardim com o telemóvel na mão, não vale.

E por coincidência (ou não), acabei de receber uma mensagem de uma dessas mães que diz: estou a pensar enviar  um email para o Agrupamento de Escolas para nos deixarem visitar os Jardins de Infância antes de inscrevermos os miúdos (ela tem uma menina com a idade do meu filho)... Boa! Quero visitar o Jardim de Infância antes de o miúdo o frequentar. Não é isso que acontece no privado? Já escrevi aqui sobre isso.
Um dia destes crio um Movimento de Apoio à modernização da Escola - e não, não estou a falar de tecnologia.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Afinal, só importa a felicidade de quem amas e não a infelicidade de quem não interessa.

Quando magoam alguém que tu amas, carregas-lhe a dor. Pelo menos tentas. 
Quando magoam alguém que tu amas, vives as mágoas como se fossem tuas. Mas não são, não tenhas a ilusão de que gritas o mesmo desespero.
Quando magoam alguém que tu amas e o responsável segue em frente, tu queres criar atalhos que o façam voltar atrás.
Quando magoam alguém que tu amas, tentas curar as feridas da melhor maneira que sabes: com desinfetante, cicatrizante, pensos rápidos, ligaduras... Mas não és cirurgião plástico, as marcas continuam a gritar a dor que, aparentemente, já passou. Os gritos da dor inicial já lá vão, mas ainda ouves aquele grito abafado de cada vez que sentes a cicatriz que lhe tatuaram à força. Ainda dás por ela muitas vezes, quase todos os dias.
Quando magoam alguém que tu amas e o responsável vive bem e de consciência tranquila, tu queres mudar a lei: a dos homens e a do universo que se uniu para vos tramar. Não é justo que viva bem, sem castigo, sem remorsos, sem um pedido de desculpa. É injustiça pura.
Quando magoam alguém que tu amas e o responsável apregoa teorias antagónicas ao que é e ao que pratica todos os dias (tu conhece-lo bem), tu queres a oportunidade para desmascará-lo.
Quando magoam alguém que tu amas e o responsável constrói (aparentemente) algo que tu admiras, tu voltas a reivindicar justiça. Quem é que pôs os pesos nos pratos da balança? Enganou-se, não foi?
Quando magoam alguém que tu amas e o responsável sobe muito alto, tu só pedes que ele voe para longe, para que não tenhas que testemunhar a sua ascensão. Tu não queres saber.
Quando magoam alguém que tu amas e o responsável cai "lá de cima" e se estatela "lá em baixo", tu podias ficar feliz... Mas não ficas. Afinal, só importa a felicidade de quem amas e não a infelicidade de quem não interessa.
Demoraste muito tempo a compreender isto, mas chegaste lá!

Imagem retirada da Internet.Fonte desconhecida.

E quando olhas para trás, reconheces que podias ter aprendido isto mais depressa e evitado sofrimento desnecessário. Ou então, tinhas mesmo de passar por tudo isto para aprender o que agora te parece tão simples e tão óbvio.
Agora é hora de seguir em frente, os pratos da balança ficarão na posição certa naturalmente. Venha a nós o que é para a nossa felicidade!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Reflexões profundas (ou não) #31 - telemóvel Vs cabine telefónica

Esta é mesmo uma reflexão profunda, até mais do que isso: é uma autocrítica. 
No final da década de noventa, tinha eu vinte e poucos anos, quase todos os dias saía do trabalho a meio da manhã para ir beber um galão no café em frente. Mesmo ao lado existia (ainda existe) um centro comercial com uma cabine telefónica. Todos os dias o mesmo ritual: a procura pela moeda ideal, o digitar o número que sabia de cor, o telefonar à minha avó. Se tivesse duas moedas, sabia que a conversa se prolongava um pouco mais. Eu gostava de ouvi-la e ela ficava feliz por me ouvir.
Hoje, com telemóvel aparentemente sempre disponível e com a possibilidade de efetuar "chamadas ilimitadas", já passei semanas sem lhe telefonar... É triste. Porque é que não aproveito a oportunidade que a porcaria do telemóvel me dá? Não gosto muito de telemóveis, fui das últimas a ter um (lá em casa e arredores), até porque o associava a controlo... Mas bolas, podia aproveitá-lo para cumprimentar quem tanto me mimou, para perguntar se dormiu bem, para dizer que estou constipada (como anteontem), para desejar uma boa noite...
A cabine telefónica ganhou este duelo, pelo menos até ontem. No entanto, espero que o telemóvel dê a volta ao resultado, até porque não encontro cabines telefónicas perto do meu atual trabalho e quero falar mais vezes com a minha avó. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Grandes livros para pequenos leitores #21 - Sou o maior

De manhã quando me tento despachar como qualquer mortal, é quase garantido que surge uma pessoa pequenina a pedir-me colo, a dizer que quer ficar comigo, a pedir para me deitar novamente. Depois do aconchego de um colo, de um abraço apertado e de alguns mimos trocados, chega a hora de lhe dizer que tenho de voltar ao que estava prestes a iniciar. Já percebi que se este ritual não for tranquilo, a Sra. Birra dá o ar de sua graça. É preferível "perder" - a verdade é que todos ganhamos - uns minutos num acordar assim do que enfrentar a terrível e não desejável Excelentíssima Senhora. Numa destas manhãs veio atrelado um pedido para ler um livro, um livro pequenino - retorquiu ele perante o meu "não posso, filho". Cedi e o livro que ele tirou da prateleira foi "Sou o maior" de Lucy Cousins, da Editora Caminho.


Foi uma prenda de aniversário. Não o temos lido muitas vezes, mas transmite uma belíssima mensagem.
Um cão que é o maior: faz buracos mais depressa e mais compridos do que o ganso, nada mais depressa do que o burro, é maior do que a Joaninha... Em todas as comparações que faz, ele é o MAIOR!
Então e se baralharmos isto e trocarmos as comparações: será que nada melhor do que o ganso? será que é maior do que o burro? voará mais do que a Joaninha? fará buracos mais depressa e mais compridos do que a toupeira? Pois é, parece que é tudo uma questão de perspetiva, parece que depende de com quem é feita a comparação. O cão lá chega à conclusão de que está a ser um grande exibicionista e pede desculpa aos amigos... Mas no final da história será que o cão é o maior em alguma coisa?

Filho, um dia, quando te deparares de forma mais consciente com as diferenças entre o que tu és e o que os outros são, não te preocupes, nada temas, não te intimides com as constatações. Foca-te no que gostas, no que queres alcançar, no que queres ser, define como o queres fazer e segue em frente, de preferência sem grandes comparações (haverá sempre algumas), sem te exibires, sem te desvalorizares. Não tentes contrariar a tua essência e nem entres em jogos competitivos excessivos: serás sempre maior do que uns numas coisas e menor do que outros noutras; serás sempre capaz de fazer umas coisas e incapaz de fazer outras. É mesmo assim. Às vezes "querer ser" ou "querer fazer" é poder; outras não - mentiria se dissesse o contrário. É claro que o "querer ser" ou o "querer fazer" é meio caminho andado para alcançares algo, mas às vezes não chega. Às vezes as coisas não correm bem à primeira, mas quando tentas novamente superas-te. Lembra-te que a frustração faz parte da vida, é bom que a sintas (não a ignores), mas não é mais do que isso: uma frustração, um "não sou capaz", um "não consegui", um "sou pior nisto". Esta história diz-nos que ninguém quer ser o pior, mas também nos diz que ser o pior é muito relativo.
Por fim, quero que saibas (tu sabes) que para mim és sempre o maior: o maior amor. Mas é para mim, tal como os outros filhos o são para os pais.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

À conversa com o meu filho #11 - Vira o disco e toca o mesmo

Todos os dias o mesmo diálogo. Mas não dizem que os miúdos com esta idade assimilam tudo com muita facilidade? Então qual é a dificuldade em assimilar a ideia de que tem de tomar banho?


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Reflexões profundas (ou não) #30 - Daltonismo a quanto obrigas

Lá ao longe (até parece que tenho uma casa muito grande) ouvi o pai perguntar-lhe: "Como é que tu fizeste isso? Tens o olho todo negro!" Não dei muita importância, se fosse uma queda/pancada grande, o miúdo tinha dado sinal, até porque ele é uma criança que consegue exprimir muito bem, a viva voz, as maleitas que vai fazendo. Desvalorizei. Entretanto, ouvi um burburinho por parte do pai à procura do Arnidol e depois outro para o aplicar. Pensei: tenho de ir ver o que se passa, como é que o miúdo deu um trambolhão assim tão grande e eu nem dei por isso? Quando os dois chegaram à minha beira (bonita expressão), vi um miúdo todo pintado em tons de verde (com um marcador) com um reforço de brilho (do dito Arnidol) à volta do olho. Será que para além de aliviar e reconfortar a pele dos pequenos trambolhões que as crianças dão, também retira a tinta da pele com facilidade? Uma pessoa está sempre a aprender...Sim, é bem capaz de ter sido o pai a dar um valente trambolhão quando era criança...Em sua defesa, ele é daltónico, confundiu a pintura facial que a nossa criança fez com o negro de uma pancada/queda. Foi só isso. Acontece - não acontece a todos, mas admitamos, pode acontecer.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Olá Janeiro de 2017

Janeiro, oficialmente já chegaste. Eu sei que já não estou em 2016. Mas mentalmente ainda estou num plano de transição, ainda não cheguei a 2017, por isso não é com grande euforia que te cumprimento. 
Eu não brindei com ninguém, não comi passas, não pulei, não beijei quem devia, não fiz nenhum pedido, logo ainda não existo em 2017. Espera-me. Eu também estou à espera de apanhar o comboio com destino a 2017 e, consequentemente, ao primeiro mês do ano... Olha, parece que vem lá!

Imagem retirada daqui.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Adeus meu querido mês de Dezembro de 2016

Ai Dezembro, ai Dezembro, não tivesses tido a comemoração do Natal e tudo o que isso envolveu, e terias sido um mês de treta. Bicharocos de várias espécies que nos impediram de ir ao almoço de Natal que fazemos todos os anos e que nos fizeram passar a noite de 31.12.2016 para 01.01.2017 em casa, no sofá, os três. Fizemos noitada, sim senhor, só não foi na Costa Alentejana como estava previsto (pormenores). Estava tudo planeado: Jantar fora, mas a três passos do sítio da dormida; dança e música até o miúdo aguentar, nem que fosse apenas até às 00h15; acordar no dia 1 no campo; ir à praia e cumprimentar 2017 com vista para o mar; regressar a casa com bons planos para 2017. Era bom, não era? Era. Mas não foi. 
O fim de semana foi mau, à meia noite estávamos os três a dormir. Lembro-me de acordar às onze e meia, olhar para o telemóvel e enviar uma mensagem à minha irmã para saber se tinha chegado ao destino em condições. À meia noite, só o barulho longínquo feito por quem se divertia me abriu os olhos por uns segundos, voltei a dormir logo de seguida (o cansaço era muito). E foi assim, Dezembro. Tens a certeza que já passaste?

Para animar isto vamos lá ver 2016 em imagens:

1) É verdade, fiz 40. E vivo muito bem com isso, mas não inventem...

2) Vamos mesmo reduzir o consumo de TV, não é que não possamos ver, mas vamos priorizar outras coisas (pelo menos, é esta a intenção).

3) Bem que o miúdo me podia ter tranquilizado.

4) Podia muito bem ser o meu filho a dizer-me isto.

5) Se eu não mudar de atitude, acho que em 2017 este diálogo será reproduzido lá em casa.

6) O amor acontecer, acontece. E isso é bom. O problema é quando acontece apenas num sentido: o do próprio umbigo.

7) É mais ou menos isto.
Imagens retiradas da Internet