segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Grandes livros para pequenos leitores #16 - Adivinha quanto eu gosto de ti para assinalar o teu 3.º aniversário

Este livro para falar do teu terceiro ano de vida. E também de amor. Ao longo desta história, as lebres, a grande e a pequena, vão procurando formas de dizer o quanto gostam uma da outra, como se fosse um jogo em que o objetivo é demonstrar que o amor de uma é maior do que o da outra. Se no início o tamanho do amor é a altura de cada uma das lebres, no final já é do tamanho de uma ida e volta à lua. O amor que te sinto, tal como o relatado neste livro, também tem sido crescente. Cada vez que penso que não é possível gostar mais do que gosto, descubro que sim: é possível e acontece todos os dias. Talvez porque vou descobrindo mais de ti. E também mais de mim. Tu cresces, eu cresço e o amor, inevitavelmente, cresce.
No último ano deixaste a chucha. Passaste a dormir no teu quarto e na tua cama. Só usas fralda à noite. Abandonaste a tua cadeira de refeição e passaste a sentar-te à mesa numa cadeira igual à nossa. Enriqueceste o teu vocabulário, o poder de argumentação e a capacidade para exprimires o que sentes. Fizemos muitas horas de parque: passaste a subir os escorregas e as casas de madeira do parque sem ajuda. Foi o teu primeiro dia de escola. Eu fiz 40 anos e o pai também. Aperfeiçoaste a arte de fazer birras e as artes em geral. Comeste o teu primeiro gelado. Começaste a ver televisão com mais frequência, se bem que vamos reduzir este consumo. A Heidi já foi a tua animação preferida; agora, as aventuras do Peter Pan e do Pirata Jake dominam. Pelo meio, também gostas do Pedrito Coelho (dormes com um coelho que tem este nome) e da Patrulha Pata. Descobriste as cores: a cor amarela foi a primeira que identificaste com convicção; depois, foste identificando as outras sem ser ao acaso; ao verde, chamas-lhe a cor da relva e é a tua preferida; baralhas-te com o facto de preferires a cor verde e seres do Benfica em que o vermelho domina. Já te expliquei, meu amor, que uma coisa é a tua cor preferida outra é o teu clube preferido. Neste tema não há cá democracias (mentira, claro, mas...), somos todos Benfiquistas, compreendido? E por falar em futebol, neste último ano Portugal foi campeão Europeu pela primeira vez. Fizemos férias, pela primeira vez, com a prima. Foi tão bom. Por tudo isto e por muito mais, este teu último ano foi forte em crescimento, em aprendizagem, em descobertas. E por isso, também em amor.


Filho, adivinha quanto eu gosto de ti. Não sabes!? Eu também não, mas uma coisa eu sei: é impossível quantificar! As palavras que conheço são poucas e redutoras para descrever isto de te amar, isto de amar um filho, mas uma coisa eu sei: amo-te quando dormes e quando acordas, quando estás feliz e quando estás triste, quando fazes malandrices, quando te vejo brincar sozinho e quando te oiço falar com os teus amigos imaginários, quando te abraço, quando nos olhamos nos olhos, quando ralho e quando elogio, quando fazes birras e quando me contrarias, quando cantas, quando corres e quando cais, quando és simpático e quando és antipático... Amo-te sempre, cada vez mais. :)

É um livro de Sam McBratney, com ilustrações de Anita Jeram, da Editora Caminho. Agora, só quero encontrar a coleção de 4 volumes de "Adivinha quanto eu gosto de ti" na Primavera, no Verão, no Outono e no Inverno. Já tinha escrito sobre a compra deste livro aqui; quando compro dois livros no mesmo dia (não acontece muitas vezes), ele inclina-se por um e só mais tarde "descobre" o outro. Com este foi assim. Hoje, ele já vai à prateleira buscá-lo para eu lho ler. Pelo meio da leitura, imitamos as lebres.

O ano passado escrevi-te esta carta. Hoje, infelizmente, não posso dizer-te que o mundo onde te fiz nascer vai bem. Mas eu tenho esperança. Tenho fé. Tenho confiança. Vou continuar a fazer pequenas coisas (o que posso e o que sei; sei que posso fazer mais), com esperança que se reflitam num mundo melhor para nós.
Quero dizer-te que não há poder nem dinheiro nenhum deste mundo que valham o desrespeito pelos outros, apesar de muitos considerarem que sim. Ignora-os, filho. Coloca-os na prateleira de exemplos a não seguir. Não há nada melhor do que viver em paz connosco e com os outros; com conhecidos e com desconhecidos; com a família, com os amigos e com o mundo. O mundo tem gente boa, muita. Aprende com eles. Eu também procuro aprender.
Desejo que sejas feliz. Desejo que sejas uma pessoa boa. Hoje e sempre.

Carta escrita ao meu filho por ocasião do seu 3.º aniversário.

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