sexta-feira, 28 de outubro de 2016

A brincar é que a gente (pequena) se entende #14 - Ir ao teatro sem sair de casa...

Quero uma área específica lá em casa para atividades de "faz de conta" e representação dramática. Quero uma arca para guardar roupas e adereços e ter um espaço para "teatrarmos" sempre que nos apetecer. 

A arca é fácil de arranjar, temos uma cheia de brinquedos para dar; não ficará vazia por muito tempo. 
Em relação ao teatro, pensei no teatro de fantoches - temos uns fantoches de dedo que ofereceram ao miúdo pequeno lá de casa com muito potencial. Compro um cortinado/tecido preto ou às riscas e coloco-o na porta do quarto do miúdo (até pode ser num daqueles varões dos cortinados da casa de banho que são extensíveis; não sei se encontrarei um tão pequeno) / pendurado no teto / ou no varão do cortinado da janela; recorto um quadrado a uma altura razoável para a criança fazer as suas dramatizações... mas que dê também para mim (de joelhos, eventualmente); coloco-lhe umas bandeirolas; ensaiamos; enviamos convites; preparamos o espaço para o nosso público; fixamos um valor para os bilhetes (já estou a pensar na vertente monetária); apresentamos a nossa dramatização; todos gostam, todos batem palmas (não há outra hipótese); repetimos a brincadeira com ou sem plateia. Brincamos. Fazemos de conta. E lembrei-me, agora, que seria divertido fazer isto na Noite de Natal.











  
Há outros exemplos interessantes: teatro de sombras, teatro de caixa (já fiz um numa caixa, com a sala às escuras, apenas com um candeeiro a incidir sobre a caixa; deu muito trabalho, mas valeu a pena). 



Imagens retiradas da Internet: Fonte desconhecida

O do cortinado parece-me fácil de preparar (eu não sou propriamente uma pessoa com vocação para os trabalhos manuais), de guardar/arrumar e reutilizar. E assim podemos ir ao teatro muitas vezes sem sair de casa... mas também o podemos levar para a rua e pendurá-lo numa árvore. Já me estou a imaginar a chegar ao parque aqui da zona com um cortinado e umas cordas debaixo do braço para montar o teatro na rua.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Grandes livros para pequenos leitores #17 - Os três primeiros livros que requisitámos na Biblioteca

Desde há um ano/um ano e meio que vamos à Biblioteca. No Inverno vamos mais vezes, no Verão gostamos mais de apanhar ar no jardim ou no parque. Sempre que passamos perto da Biblioteca, ele liga o pisca na sua direção. A semana passada fomos aos CTT e no caminho encontra-mo-nos com ela. Entrámos. Ele gosta do espaço pela quantidade de livros, mas principalmente pela casa de madeira, pelos colchões no chão e pelo crocodilo de pano gigante que lá habita - ele desarruma e folheia livros, mas acho que a casinha de madeira é a sua perdição. Pela primeira vez requisitámos livros. Três. Como temos um prazo para os devolver (avisei-o de que os livros não são nossos) quando decidimos ler um, lemos todos. Ele pede sempre para lermos os três por uma ordem específica.

1 - O primeiro livro que ele pede para ler é sempre este:


A mãe e o Hugo fazem muitas coisas juntos, mas um dia a mãe tem coisas para fazer sozinha (telefonemas, responder a e-mails; já vivi este filme na primeira pessoa) e o Hugo tem de arranjar algo divertido para fazer sozinho. E arranja: prepara uma surpresa. Julgo que ele se identifica com os acontecimentos relatados neste livro, talvez por isso seja sempre o primeiro que ele pede para ler. Chama-lhe "Gosto de brincar com a mãe".
A Mamã e Eu é o título do livro, é de Emma Chichester Clark, da Editora Caminho.

2 - Adorei encontrar/conhecer o segundo livro. Se a escolha do primeiro livro requisitado na Biblioteca tivesse sido planeada,  não tinha sido tão assertiva.


Um coelho que adora livros. Um coelho que entra em casa das pessoas às escondidas para ler os seus livros. Um coelho que começa a desviar/roubar livros. Um Coelho Ladrão de Livros que é apanhado em flagrante. Uma hipótese de o Coelho Ladrão de Livros se reabilitar. Como? Incutindo-lhe o hábito de requisitar livros na Biblioteca. E devolvê-los. É uma história muito divertida e mais que adequada à explicação de que temos de estimar e devolver estes livros.
Procura-se Ralfy, o Coelho Ladrão de Livros, um livro de Emily Mackenzie, da Editora Minutos de Leitura.

3 - O terceiro livro é especial. Muito.


"O Baltasar era o melhor urso violinista do mundo. Chamavam-lhe Baltasar, o Grande! 
Um dia, é libertado do circo e inicia uma longa viagem. Diz adeus aos velhos amigos, visita novos lugares e faz novos amigos também. Mas a viagem é longa e os dias estão cada vez mais frios... Conseguirá o Baltasar encontrar o caminho até casa?"
O livro tem pouco texto, as imagens quase que nem precisam dele. Foi conseguido o equilíbrio entre o (pouco) texto necessário e as ilustrações apresentadas. As ilustrações são maravilhosas. É um livro que fala do direito dos animais viverem livremente. Fala de despedidas, de caminhos, de procura e de reencontros. Fala do reencontro com a família. E quando chegamos à ultima página, em que o Baltasar está no seu Habitat natural com os seus familiares ele diz:
- Aqui está o pai - apontando para o maior e mais gordo urso que aparece na imagem; pena aquele "ursinho" usar um biquíni, sinal de que deve ser a mãe; mas a intenção é boa, o pai é que é o grande e o... gordo lá de casa.
- Aqui está a mãe - apontando para o urso mais elegante. Boa, filho!
- Aqui está o Baltazar e a irmã - up´s, falta a irmã. Pode ser a prima?
- Aqui estão os avós, os tios, as primas... as professoras e as Carmos... Esbocei um sorriso enorme quando ele disse isto. Ele está a incluir naquela página, que representa a sua família, a educadora e a Ama. Ele deve achar que todos têm uma professora e uma Carmo (Ama) e que elas devem ser parte integrante da família.
Baltasar, o Grande, um livro de Kirsten Sims, da Editora Orfeu Mini.

Foram estes os três primeiros livros que requisitámos. E agora temos um problema: gostávamos mesmo de ter estes livros na nossa prateleira... Eu sabia que isto de requisitar livros tinha um lado bom e um lado mau: o lado bom existe porque temos acesso a mais histórias; o lado menos bom existe porque não nos contentamos em ficar com elas apenas 15 dias.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Pessoas que me inspiram #6 - O pai

O pai. Escrevo sobre um pai, mas não um pai qualquer. Escrevo sobre o pai que todos deviam ter.

Ele entra com ar sério, apressado e pouco frágil para obter informações acerca de tratamentos de Fisioterapia para o filho: depressão, perda de peso brusca, falta de força... Ninguém sabe o que o filho tem ao certo. Marcamos consulta. Ele não sabe se o filho virá à consulta. Olho-o nos olhos e afirmo que vou marcar a consulta, afirmo que ele virá, como se conhecesse o filho deste pai e tivesse certeza de que ele viria. Não conheço nem tenho a certeza, mas tenho uma grande vontade que ele venha àquela consulta - porque no fundo do olhar vivo e forte do pai vi fragilidade; os filhos são mesmo o nosso ponto mais forte e o nosso ponto mais fraco. Ele vem à consulta. A médica desconfia de uma doença que há uns anos seria mortal; hoje, mesmo não tendo cura, não o é. A ansiedade por realizar os exames. A vontade e a crença de que a médica esteja errada. O medo de ela estar certa. Uma força de toda a equipa na recuperação deste utente, mesmo sem saber o diagnóstico - o resultado demorou a sair. O pai que começou também a fazer Fisioterapia (às vezes penso que ele forçou uma lesão só para estar mais próximo do filho). A força no nosso sorriso e nas palavras tímidas que receamos ser intrusivas. A nossa fé. O estado de espírito do filho com altos e baixos. A firmeza do pai. O companheirismo do pai. A dura certeza do pai de que a suspeita da médica está certa. A crença do filho que não. O resultado positivo. O céu que lhes caiu em cima durante a travessia de uma ponte - estavam juntos quando receberam a notícia. Imagino o medo e a revolta (não, não imagino). O reencontro com eles depois do resultado, um abraço sincero e dois beijos de amizade (não de uma amizade de sempre, possivelmente nem para sempre, mas sincera; o bem querer é sincero desde o primeiro minuto). O pai com ideias que se atropelam, que procura alternativas, que morre de medo, mas que não desiste. O pai que entra dois minutos depois de sair com 3 escovas na mão só porque a Fisioterapeuta lhe disse que essa é uma boa ferramenta para treinar a sensibilidade em casa; ele queria a opinião dela. Um gesto tão simples que diz tanto: ajudar e apoiar sempre o filho, do aspeto mais básico ao mais complexo. O sorriso dele por se sentir importante na recuperação do filho. O orgulho no filho. Quase que vejo uma criança obstinada a lutar por algo que quer muito. Só que ele quer sempre e sempre mais. Nada nem ninguém o demove. Ele quer o melhor para o filho e luta por isso. Eu vejo-o claramente. Este é o pai que todos deviam ter!

Ouvimos falar muito de escuta ativa e de atenção plena para com os nosso filhos... não sei se devido à maternidade, constato que a minha atenção plena e escuta ativa melhoraram muito, não só para o meu filho, mas para o mundo em geral. E para as pessoas que realmente merecem e são exemplos a seguir. Gosto desta (minha) capacidade recente. 

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Quero Ver (ou já vi): Quando sinto que já sei

Uma questão que este documentário coloca: Se um médico do início do século XX (com formação do início do século XX) entrar numa sala de cirurgia do século XXI, conseguirá operar? Pois, parece-me bem que não. Então, porque é que teimam em formar professores que vão lecionar em salas de aula do século XXI com metodologias do século XIX? Podemos começar por questionar se o papel da criança do século XIX é igual ao do Século XXI - digo eu que percebo pouco disto.

Também podemos questionar se, com as novas tecnologias, faz sentido que a sala de aula seja apenas aquele quadrado físico - o mundo, sim, deve ser a sala de aula; se faz sentido que a disposição de muitas das salas de aula de hoje promova o trabalho individual; e o que significa um ensino transmissivo e a hierarquia de papéis numa sala de aula numa sociedade democrática. Sei que existem escolas que priorizam, cada vez, metodologias ativas em que a criança tem uma voz e um papel ativos, só lamento que não sejam todas. Também sei (li num artigo publicado na revista Visão há alguns anos) que alguns professores têm medo da mudança, têm medo de não conseguir. E aqui lamento ainda mais, é porque não se sentem apoiados.

Será que algum dia conseguiremos construir uma escola tão boa, tão alegre que os alunos e professores queiram frequentá-la aos sábados, domingos e feriados? Em cooperação com as famílias - acrescento eu que quero dias só para nós. Julgo que a questão é colocada para nos fazer refletir sobre os motivos pelos quais muitas crianças não se sentem bem na escola, não gostam das vivências na escola. 

Um filme de Antonio Sagrado Lovato, Raul Perez e Anderson Lima, apresentado por Despertar Filmes em 2014. Com a participação de José Pacheco, um dos mentores da Escola da Ponte.


Trailer:


Passou uma "Grande Reportagem" na SIC recentemente, "A Escola, o Futuro e o 9º H", que ainda não vi. Mas quero ver. 

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Uma tia a destruir Histórias de Encantar desde 2016

E essa tia não sou eu. É a minha excelentíssima irmã.
Já tinha referido aqui que há versões de histórias da minha infância que não conto ao meu filho como me contaram a mim, pelo menos por enquanto. No caso concreto da História do Capuchinho Vermelho, aquela parte em que o lobo mau come a avozinha, o caçador lhe abre a barriga e a velhinha salta cá para fora não é contada por mim desta maneira... até porque encontrei um vídeo antigo, em que a avozinha se esconde do lobo mau no roupeiro. Assim sendo, adotei esta versão ao leque de histórias que lhe conto e o assunto ficou resolvido. Mas o miúdo tem uma tia. Tia essa que um certo dia para o adormecer, não acertando em nenhuma história que o miúdo conhecia, lhe falou de Biologia... Venceu-o pelo cansaço, claro, e ele acabou por adormecer. Esta semana, enquanto eu travava uma dura batalha com um dos lobos maus que apareceram no meu caminho, a rica tia da minha criança deu-lhe banho. E contou-lhe uma história. E que história? A do Capuchinho Vermelho, claro. E que versão? Aquela em que o lobo mau sofre uma cirurgia à barriga: sai a avozinha e entram pedras da calçada, claro. Obrigada tia, por preparares o miúdo tão bem para a parte menos boa deste mundo... Pensando bem... deixa-o crescer mais um bocadinho. A mãe agradece.

Lobo Mau, com esta tia não te escapas. Olha bem o tamanho das pedras.


Pesa-te a barriga, não é? E a consciência?

Imagens retiradas da Internet: Fonte desconhecida

Por aqui se vê: a tia escolheu ser professora, mas tinha mais jeito para Medicina... área da cirurgia, talvez. Bem que lhe disseram muitas vezes "vai para a área da saúde", mas é teimosa.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

E não escrevo mais nada acerca do Jardim de Infância...

... até ter um novo motivo para o fazer.
O primeiro dia foi no dia 12 de Setembro de 2016. Planeei um dia tranquilo, em que tomaríamos o pequeno almoço calmamente, em que não me chatearia com nada, em que fotografaríamos o momento para mais tarde recordar. Claro que não foi nada disto que aconteceu: houve nervos da minha parte, houve atrasos, houve stress, houve uma birra descomunal, pensei até que iria dar-lhe uma palmada (descontrolo completo), houve lágrimas. Até dores no peito senti. Não foi, decididamente, um bom dia para ser o 1.º de escola. Pelo motivo de que falei aqui, eu estava muito sensível (triste mesmo). Quando a minha irmã me perguntou: Sabes o que não é suposto fazer num primeiro dia de aulas? - a minha sobrinha entrou no 1.º ano do 1.º ciclo do Ensino Básico -, respondi: sei, foi precisamente isso que eu fiz. Não sei se por solidariedade, ela sentiu o mesmo, deve ser de família. 
Tirei uma semana de férias para a adaptação e tive muita disponibilidade para me dedicar ao meu filho nesta nova etapa. 

Os primeiros dias:
Ficou sem chorar no primeiro dia; agarrou-me o rosto, deu-me um beijo e lá foi ele sem chorar. Fiquei espantada, claro. Quando cheguei, uma hora e meia depois, chorou quando me viu. 
No segundo dia ficou num pranto, gritou "mamã, só mais um abracinho" quando o deixei no colo da auxiliar. Saí de lá num pranto. Quando cheguei, uma hora e meia depois, estava feliz, correu para me abraçar, mas sem qualquer tristeza. 
No terceiro e no quarto dias ainda chorou quando o deixei, mas encontrei-o sempre bem quando o fui buscar; já almoçou na escola. No quinto dia, houve um beicinho, mas nada de choro. Na semana seguinte, segunda feira não dormiu na escola, mas a partir de terça-feira passou a dormir com os amigos. 


O que é que eu sinto?
Sinto-o bem. Quando chego ao final da tarde, ele não tem pressa em despedir-se de quem lá fica, embora fique feliz por me ver. Fala de algumas coisas que acontecem na escola, no entanto ainda não relata de forma espontânea os acontecimentos. Canta algumas músicas. Vai ao jardim e ao parque. Melhorou a capacidade de descrever: conta-nos histórias. Apanhei o pai a chorar quando, numa destas noites, o nosso miúdo trocou o papel de ouvinte de histórias pelo de contador de histórias. Apaixonou-se perdidamente por jogos (lego, puzzle, dominó). Tem ginástica e música. No entanto, ainda diz muitas vezes que não quer ir para a escola, diz que quer ficar comigo e com o pai - devemos ser muito fixes, o miúdo prefere-nos à animação da escola... 
Na escola sempre dormiu sem fralda - desde as férias, em Agosto, que dorme a sesta sem fralda, demos continuidade à prática. Descuidou-se 3 ou 4 vezes na escola, ficou sempre muito preocupado, mas o acontecimento sempre foi desvalorizado pela educadora e pela auxiliar - tínhamos conversado acerca deste assunto e disse-lhes claramente que nunca ralhei com ele por causa dos descuidos. Peço-lhe para não andar aflito muito tempo porque lhe faz mal, mas não ralho; para mim não faz sentido ralhar nesta situação, menos ainda quando isso acontece durante a sesta. Não sei o que aconteceu, mas depois do último descuido durante a hora da sesta ele disse-me que não queria ir mais à escola, que a educadora estava zangada. Sentei-me ao nível dele, disse-lhe que a educadora me tinha dito, mas que não estava zangada; reforcei que não há qualquer problema, acontece; disse-lhe que já tinha lençóis lavados na mala para o dia seguinte; o pai relatou à educadora o receio dele e ela tranquilizou-o. Julgo que viu a educadora atrapalhada num dia em que houve muitos descuidos. Eu... Eu escutei-o, não ignorei o seu receio, mas não o enfatizei. Conversámos sobre o assunto, emiti a minha opinião e, julgo, o assunto ficou resolvido na cabeça dele. Ainda estou a aprender o meu papel neste trio: mãe/filho/educadora ou pais/criança/escola.
Há semanas que andava a dizer que não queria a fralda da noite. É verdade que a fralda, algumas vezes, estava praticamente seca de manhã; outras, nem por isso. Sexta feira passada ele insistiu e eu assenti. Aguentou a noite inteira, fez chichi na cama por volta das 7 da manhã, acordou aflito, mas tudo bem. Disse-lhe que tinha conseguido ficar muito tempo sem fazer chichi. Desde então, tem dormido sem fralda. A meio da noite levanto-o para fazer chichi, ele nem acorda. No próximo fim de semana vou deixar de o fazer. 

Se sinto arrependimento em relação à minha escolha?
Não foi bem uma escolha. Teve de ser. Continuo a espreitar o facebook da escola que foi a minha primeira opção. Continuo a identificar-me com o que lá praticam. Há coisas que são feitas na escola do meu filho que eu faria de forma diferente. Pergunto-me muitas vezes se mudará de escola no próximo ano. 
Penso muitas vezes que é bem possível que eu tenha tirado a licenciatura em Educação Básica só para ter um papel mais ativo na educação do meu filho; há coisas que considero fundamentais que se não forem feitas na escola que ele frequenta, serão feitas comigo. Lembro-me de há uns anos me terem falado no ensino doméstico e eu ter achado a ideia mais estapafúrdia de sempre. Hoje, não sei se vou tão longe, mas estou inclinada para o meio termo (que não é bem meio porque eu trabalho a tempo inteiro). Hoje vou a uma reunião como encarregada de educação pela primeira vez. Por agora, continuamos assim. 

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Olá Outubro de 2016

Nem sei o que te diga, Outubro. Sabes que estás na minha lista negra há algum tempo. Este ano, como só estou a cumprimentar-te ao dia 18 (digo-te já que, por mim, podias ter apenas 3 ou 4 dias), vou dividir-te em quinzenas: a 1.ª quinzena, tirando o dia 15 de Outubro, escapou; ao 3º dia da 2.ª quinzena, já não te posso ver. Mais uma vez, tenho pressa em despedir-me de ti. Por mim, isto era já o cumprimento e o Adeus, mas ainda faltam 13 dias. Sendo que um deles é o das Bruxas. Para não variar, estas tipas apareceram mais cedo.


Em Outubro vou tentar:
- Ginasticar, se bem que: por um lado, já faço muitas caminhadas do meu quarto para o do miúdo; por outro, agora até vou a pé para o trabalho. Vou considerar que esta é uma tentativa concretizada com sucesso. Afinal, já estamos a dia 18.
- Pisar folhas à maluca com o meu filho sem ser apanhada pela senhora que as varre e que com elas constrói montes no jardim da nossa terra. Dá mesmo vontade de começar ao pontapé e espalhar tudo pelo chão... É que o chão fica tão bonito coberto de folhas... Não, não é por ter vontade de pontapear ninguém. Eu sou uma pessoa muito pacífica. 
- Não sei muito bem o que é aquilo ali na terceira imagem: à primeira vista pareciam castanhas; agora parece-me um cacau quente com qualquer coisa... Pronto, vou assumir que um dos objetivos do mês de Outubro é não me encher de porcarias comestíveis. Nem de porcarias de espécie alguma. E ir ao oftalmologista.
- Ter uma bicicleta por perto para fugir quando a conversa não me agradar ou quando encontrar pessoas que podiam muito bem viver em Marte (desculpem lá, habitantes de Marte, mas parecem-me bem mais evoluídos emocionalmente para lidar com determinadas "não espécies" de humanos).  

Outubro! Outubro, ainda aí estás!?

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Adeus meu querido mês de Setembro de 2016

Já estamos a 17 de Outubro e ainda não me despedi de ti. Foste bom. Foste um mês de começos e recomeços. Foste um mês de festas simples, mas com muito significado e com sentido. Foste a soma de comemorações, de alegrias e de amor. Os meus amores no estado puro fizeram anos. O pai aqui de casa também (falta falar de dois livros para assinalar a sua entrada nos 40). O meu pai também. 
Um acontecimento triste: Juntou-se ao meu pai uma das pessoas de que falei aqui. Também com cancro. Com menos 1 ano do que eu e com dois filhos. Senti uma profunda injustiça nesta morte (como em quase todas). E se fosse eu/podia ser eu - penso. E choro. E lamento. Lamento muito. Ela lutou muito, sofreu muito. Foi filha de uma mãe de cancro e perdeu-a para esse terrorista que ninguém consegue deter. Agora, no papel de mãe, também foi vencida. Porquê tanto sofrimento e tanta luta em vão? 

Adeus meu querido mês de Setembro de 2016, no próximo ano quero ver-te bem e cheio de razões para sermos felizes, como sempre. Sem acontecimentos tristes. 

Grandes livros para pequenos leitores #16 - Adivinha quanto eu gosto de ti para assinalar o teu 3.º aniversário

Este livro para falar do teu terceiro ano de vida. E também de amor. Ao longo desta história, as lebres, a grande e a pequena, vão procurando formas de dizer o quanto gostam uma da outra, como se fosse um jogo em que o objetivo é demonstrar que o amor de uma é maior do que o da outra. Se no início o tamanho do amor é a altura de cada uma das lebres, no final já é do tamanho de uma ida e volta à lua. O amor que te sinto, tal como o relatado neste livro, também tem sido crescente. Cada vez que penso que não é possível gostar mais do que gosto, descubro que sim: é possível e acontece todos os dias. Talvez porque vou descobrindo mais de ti. E também mais de mim. Tu cresces, eu cresço e o amor, inevitavelmente, cresce.
No último ano deixaste a chucha. Passaste a dormir no teu quarto e na tua cama. Só usas fralda à noite. Abandonaste a tua cadeira de refeição e passaste a sentar-te à mesa numa cadeira igual à nossa. Enriqueceste o teu vocabulário, o poder de argumentação e a capacidade para exprimires o que sentes. Fizemos muitas horas de parque: passaste a subir os escorregas e as casas de madeira do parque sem ajuda. Foi o teu primeiro dia de escola. Eu fiz 40 anos e o pai também. Aperfeiçoaste a arte de fazer birras e as artes em geral. Comeste o teu primeiro gelado. Começaste a ver televisão com mais frequência, se bem que vamos reduzir este consumo. A Heidi já foi a tua animação preferida; agora, as aventuras do Peter Pan e do Pirata Jake dominam. Pelo meio, também gostas do Pedrito Coelho (dormes com um coelho que tem este nome) e da Patrulha Pata. Descobriste as cores: a cor amarela foi a primeira que identificaste com convicção; depois, foste identificando as outras sem ser ao acaso; ao verde, chamas-lhe a cor da relva e é a tua preferida; baralhas-te com o facto de preferires a cor verde e seres do Benfica em que o vermelho domina. Já te expliquei, meu amor, que uma coisa é a tua cor preferida outra é o teu clube preferido. Neste tema não há cá democracias (mentira, claro, mas...), somos todos Benfiquistas, compreendido? E por falar em futebol, neste último ano Portugal foi campeão Europeu pela primeira vez. Fizemos férias, pela primeira vez, com a prima. Foi tão bom. Por tudo isto e por muito mais, este teu último ano foi forte em crescimento, em aprendizagem, em descobertas. E por isso, também em amor.


Filho, adivinha quanto eu gosto de ti. Não sabes!? Eu também não, mas uma coisa eu sei: é impossível quantificar! As palavras que conheço são poucas e redutoras para descrever isto de te amar, isto de amar um filho, mas uma coisa eu sei: amo-te quando dormes e quando acordas, quando estás feliz e quando estás triste, quando fazes malandrices, quando te vejo brincar sozinho e quando te oiço falar com os teus amigos imaginários, quando te abraço, quando nos olhamos nos olhos, quando ralho e quando elogio, quando fazes birras e quando me contrarias, quando cantas, quando corres e quando cais, quando és simpático e quando és antipático... Amo-te sempre, cada vez mais. :)

É um livro de Sam McBratney, com ilustrações de Anita Jeram, da Editora Caminho. Agora, só quero encontrar a coleção de 4 volumes de "Adivinha quanto eu gosto de ti" na Primavera, no Verão, no Outono e no Inverno. Já tinha escrito sobre a compra deste livro aqui; quando compro dois livros no mesmo dia (não acontece muitas vezes), ele inclina-se por um e só mais tarde "descobre" o outro. Com este foi assim. Hoje, ele já vai à prateleira buscá-lo para eu lho ler. Pelo meio da leitura, imitamos as lebres.

O ano passado escrevi-te esta carta. Hoje, infelizmente, não posso dizer-te que o mundo onde te fiz nascer vai bem. Mas eu tenho esperança. Tenho fé. Tenho confiança. Vou continuar a fazer pequenas coisas (o que posso e o que sei; sei que posso fazer mais), com esperança que se reflitam num mundo melhor para nós.
Quero dizer-te que não há poder nem dinheiro nenhum deste mundo que valham o desrespeito pelos outros, apesar de muitos considerarem que sim. Ignora-os, filho. Coloca-os na prateleira de exemplos a não seguir. Não há nada melhor do que viver em paz connosco e com os outros; com conhecidos e com desconhecidos; com a família, com os amigos e com o mundo. O mundo tem gente boa, muita. Aprende com eles. Eu também procuro aprender.
Desejo que sejas feliz. Desejo que sejas uma pessoa boa. Hoje e sempre.

Carta escrita ao meu filho por ocasião do seu 3.º aniversário.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

À conversa com o meu filho #10 - Dúvidas existenciais, aprendizagem e conflitos interiores

Dúvidas existenciais
Dia 27 de Setembro comemoramos, em família, o terceiro aniversário do Índio Pirata. Uma ida à praia, um almoço à beira mar, um bolo feito pela madrinha, cantigas, palmas e um presente. 
No dia seguinte, a conversa entre os dois foi a seguinte:
O pai: a avó vai deixar um bolo na escola, à hora do lanche, para cantares os parabéns com os teus amigos.
O filho: Oh pai, mas... Eu, agora, faço anos todas as semanas!?

Aprendizagem: Faz o que eu digo não faças o que eu faço... Pois, está bem.
Ultimamente pede para levar um brinquedo para a mesa. Pode levá-lo, mas não é para brincar. A mesa, à hora das refeições, é para as refeições, até porque ele distrai-se com a brincadeira e não come. Assim que termina a refeição, mesmo que fiquemos à mesa, pode brincar à vontade. É claro que, às vezes, a mão foge-lhe para o brinquedo e para a brincadeira. Digo-lhe que não é o momento, digo-lhe que se preferir tiro o brinquedo de cima da mesa. Ela aceita mantê-lo ali sem lhe tocar.
No fim de semana passado estávamos a almoçar e a conversar e pelo meio o pai toca no brinquedo.
- Paaaiii, já almoçaste!? - perguntou-lhe.

Conflitos interiores...
Por vezes, ainda bem que não são assim tantas, ele tem dificuldade em utilizar a expressão mágica quando quer pedir alguma coisa: se faz favor. Na verdade, o que ele tem é dificuldade em ceder.
No outro dia precisava de ajuda para abrir a caixa da harmónica (até eu tenho dificuldade em abrir a dita caixa; quase que podia servir de mealheiro, assim não corria o risco de andar sempre a tirar moedas do mealheiro quando preciso de trocos) e pediu ao pai para a abrir, mas sem proferir a expressão mágica. O pai disse-lhe que faltava ali qualquer coisa e ele amuou... e teimou. Veio ter comigo e repetiu o pedido. Eu disse-lhe que talvez faltasse ali o "se faz favor". Ele respondeu que não conseguia dizê-lo. Perguntei-lhe se precisava de ajuda, ele disse que não. Insisti um pouco com um tom de voz muito calmo, ele não cedeu. Eu também não. Atirou a caixa para o chão, porque sabia que daquela forma ela abriria (tinha acontecido umas horas antes sem querer). Olhei-o de soslaio e vi o seu ar triunfante. Tive vontade de apanhar a caixa e fechá-la. Mas ignorei a situação, fingi que nem me apercebi do acontecimento. Depois, eu e o pai, rimo-nos às escondidas.