sexta-feira, 27 de maio de 2016

Falar de ti

Queria subir ao cimo de uma árvore bem alta; uma que me fizesse chegar ao céu. 
Queria segredar ao ouvido dos que o habitam os meus desejos para ti. 
Queria dizer-lhes o quão maravilhosa és; descrever-lhes a menina especial que nasceu em ti no dia em que nasceste para o mundo. O mundo, depois desse dia, passou a ser um sítio melhor.
Queria explicar aos habitantes do mundo que não se podem retirar às crianças as oportunidades que lhes são devidas. E que tu és uma criança. 
Queria também dizer-lhes que agora é hora de fantasiar e brincar. A falsidade de outros, pesados em idade e em maus sentimentos, não te pode afetar. 
Queria dizer-lhes que o teu sorriso é a única arma que tens; serve apenas para travar desavenças. E é também o barómetro da tua felicidade. E da nossa, que te adoramos.
Queria pedir-lhes para olharem para ti, para olharem para esses teus olhos cheios de brilho, por vezes nublados por coisas que te são alheias, e que descrevessem a luz que carregas e a beleza que habita em ti. Se conseguirem, claro. Há coisas que são difíceis de passar para palavras. Mas podem ser sentidas. 
Queria que reconhecessem os momentos em que transformas o cinzento de um mau dia no amarelo de um dia feliz. 
Queria que reparassem como as cores do arco íris tatuam o teu percurso. O teu e o dos que caminham ao teu lado. 
Queria dizer-lhes que não é suposto existir outra hipótese senão a de seres verdadeiramente feliz.

Imagem retirada do pinterest

Mas, depois, penso que não é necessário dizer nada disto a ninguém. Tudo o que tu és é tão visível que só não vê quem não quer.
Não duvides, minha pequena gigante, que és amada pelos que devem amar-te verdadeiramente. Tu, com o teu jeito de ser, fazes com que isso aconteça naturalmente. 

terça-feira, 24 de maio de 2016

Quero Ver (ou já vi): O começo da vida

Porque acredito que "se mudarmos o início da história, mudamos a história toda". Porque acredito na mudança. Porque acredito em oportunidades. Porque acredito em recomeços. Porque acredito que a infância é o futuro. Porque acredito que todas as crianças merecem o melhor... Porque acredito que conseguimos fazer melhor.


Amigos imaginários: O Bitá e o Tomás

O primeiro foi o Bitá. Ao início, dado o nome invulgar, não percebi bem a que se referia. Lá compreendi, porque ele foi claro na explicação, que o Bitá é um amigo do trabalho dele. 
- E o que é que vocês fazem no trabalho?
- Trabalhamos com os pucadores*. 
Ele leva, inclusive, para a Ama uma construção de lego que ele designa como computador. Ele não me vê trabalhar ao computador, apesar de o fazer, mas o marido da Ama arranja computadores. Já lhe perguntei se ele queria convidar o Bitá para ir lá a casa. Respondeu que não. Ontem perguntou-me se eu queria ver o Bitá. Depois disse-me "ele está aqui". Escusado será dizer que não estava ali ninguém.
Há dias, houve uma nova contratação na empresa em que o meu filho trabalha e ele ganhou mais um amigo: o Tomás (este amigo sempre tem um nome comum, desta vez não o confundi com um ovni). A empresa alargou a sua área de actuação e agora também apanha dragões. Apanhámos Dragões castanhos - diz-me. Ele nem sabe bem que cor é esta, mas quem sou eu para o contrariar. 
E é isto. Para já, para já, e com tantas empresas a reduzir pessoal, a do meu filho anda a fazer contratações e a alargar o leque de clientes e áreas de atuação. Só pode ser um bom pronúncio. 

A propósito deste tema e falando mais seriamente, encontrei este artigo. E retirei deste algumas ideias do que deve ser a nossa atitude perante a existência de um amigo imaginário. Sim, ele existe mesmo. É normal aparecer por volta dos 3 anos e manter-se até aos 6. Não prejudica e parece que até pode ser um excelente fator protetor, emocional e psicológico. O miúdo arranjou logo dois, possivelmente a pensar que eu preciso de um... Estou a brincar, mas por vezes dava-me jeito um amigo destes: Quem é que comeu o gelado? E o chocolate? Já comeste a embalem de bolachas que comprei há meia hora? EU?? Não! O Bitá comeu o gelado, o Tomás o chocolate e os dois, não satisfeitos, atiraram-se às bolachas.

Imagem retirada daqui

Só para que fique registado: a minha sobrinha também teve uma amiga imaginária, a Helena.

* Computadores

segunda-feira, 23 de maio de 2016

A brincar é que a gente (pequena) se entende #10 - Dias nossos

Na sexta feira, ao final da tarde, antes de uma saída a dois, foi dia de metermos uma banheira e um alguidar com água morna na varanda da avó. Estava um dia de verão. Ele e a prima a chapinhar e a "mergulhar". Ele sem fralda, ela de cuecas. Eles a brincar com a água, eu a limpar o chão com a esfregona. Depois, hora de banho a dois. A loucura. A avó chegou: enquanto uma limpa um, a outra termina o banho do outro. Dar-lhes o jantar. Dar-lhes um beijo. Sair para jantar... a medo.
Dormir a primeira noite sem a mãe. Dormir a primeira noite sem o filho. Várias mensagens enviadas à avó para saber se estava tudo bem. Jantar a dois. Cumplicidades. Pensar e falar nele várias vezes. Chegar a casa às 2 da manhã, adormecer às 3 e acordar às 6h30 (sentir a falta daquela "pessoinha" despertou-me a esta hora). Enviar nova mensagem à avó. Receber uma mensagem que nos informa que o miúdo estava acordado. Tomar o pequeno almoço rapidamente. Ir buscá-lo. Encontrá-lo bem. Receber um abraço. Ouvir "voltaste, mamã", mas sem o ar dramático habitual. Ouvir o meu bebé dizer que queria ficar na casa da avó. Respirar de alívio. Sair de casa da avó. Ir à estação ver os comboios de perto e ir ao parque às 9 da manhã. Adormecer às 11h e acordar às 14h. Almoçar tardiamente.
Há quase 1 ano tentámos a primeira noite sem ele, mas às 2 da manhã estava na casa da minha mãe para dormir com ele. Desta vez consegui, mas ainda não foi tranquilo. Vamos com calma.
Fim de semana caseiro e tranquilo. Com brincadeiras inventadas: salta a rolha - ele e o pai inventaram esta brincadeira. Gritam "salta a rolha"; atiram a rolha; andam à procura dela pela casa; chamam-me, orgulhosos, para assistir. Uma ida ao parque com o pai enquanto a mãe ficou a terminar as limpezas (para quando um sistema autónomo que nos limpe a casa?). O relato de uma perseguição aos dragões. Terminar o fim de semana com mergulhos na banheira, com a casa de banho cheia de água e um miúdo feliz da vida.
Para eles brincar é natural... E para nós, às vezes, também.

Imagem retirada daqui

Olá segunda feira: Cada semana que passa tornas-te mais difícil para mim. E eu nem tinha muita aversão à segunda feira...

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Pessoas que me inspiram #2 -Quem foi o professor que mais vos influenciou?

É a questão colocada numa publicação na página de facebook da Raiz Editora:


Não me lembro de muitos dos professores que tive. A maioria não me marcou, até porque eu não tinha uma boa relação com a escola. Nunca fui boa aluna. Não gostava da escola. Não estudava. Achava que algumas das matérias eram muito básicas, outras não me interessavam. Tive alguns problemas de saúde que me levaram a faltar algumas semanas durante 4 anos consecutivos (visão no 2.º ano, operação no 3.º ano, acidente no 4.º ano, febre reumática no 5.º ano). Chumbei no 6.º ano e a justificação unânime foi a da ausência por períodos de tempo, relativamente longos, nos anos anteriores. Não me parece, sinceramente, que tenha sido esse o motivo. No 6.º ano faltava à escola para passear com amigas que não eram da minha turma, logo tinham horários diferentes do meu; foi a maneira que encontrei para estar com elas. Apesar das desconfianças da minha mãe, nunca andei com más companhias (talvez a má companhia fosse eu), nunca fumei,  nunca bebi, nem tinha namorado; faltava (às aulas, não à escola) porque qualquer coisa era melhor do que estar nas aulas. Lembro-me de detestar quando o meu pai me chamava a atenção pelo meu fraco desempenho escolar. E quem é que lhe chamava a atenção pelo seu fraco desempenho parental? Pensava eu - talvez seja injusto escrever isto, não sei se a culpa terá sido apenas dele, mas minha não terá sido com certeza. Aquele chumbo foi perdoado, mas não podia haver outro. Cheguei ao final do 2.º período do 8.º ano com 1 positiva (ou nenhuma, não tenho bem a certeza). A minha mãe chegou a casa, depois da reunião com a Diretora de Turma, com a minha sentença definida: sair da escola e ir trabalhar. Lembro-me bem desse dia, lembro-me do dia seguinte, lembro-me do medo e do peso daquela sentença e da mudança que isso teria na minha vida, lembro-me das conversas na escola no dia seguinte. Parece que fui o tema principal da reunião. Implorei para que a minha mãe não me tirasse da escola, prometi que recuperaria no 3.º período. Ninguém acreditava naquela recuperação, eu tinha andado a assobiar para o lado o ano inteiro, tinha 1 mês e pouco de aulas porque naquele ano a PGA (Prova Geral de Acesso) seria realizada naquela escola. A minha mãe acedeu ao meu pedido. Levantava-me às 5 da manhã para estudar e pôr matéria em dia. A maioria dos meus colegas faria apenas um teste, eu teria de fazer 2 a todas as disciplinas. Era difícil, mas eu meti na cabeça que tinha de tentar. Tentei, esforcei-me e consegui. Transitei para ano seguinte. Mas o meu problema com a escola continuava a existir. No 9.º ano repeti a "brincadeira" e não correu bem. Chumbei. Saí da escola. Comecei a trabalhar. Fui proibida de visitar as minhas amigas de sempre (vivia num sítio e estudava noutro). Perdi, aos 14 anos (quase a fazer 15), as minhas raízes. Paguei caro por isso. Fui estudar à noite no local onde vivia. Fiz o 9.º ano. Resolvi tentar o 10.º ano. Toda a gente achava que eu não tinha queda para a escola, que eu não era capaz, que era pouco inteligente. A escola deixou de ser uma obrigação, a minha obrigação era trabalhar. Não faltava à escola. Fiz o 10.º, 11.º e 12.º anos à noite, a trabalhar, sem chumbar, com média de 15.
No 10.º ano tive uma professora de Geografia que me perguntou que área seguiria quando fosse para a faculdade. Nunca tinha pensado seriamente (talvez secretamente) avançar para uma licenciatura; acho que ninguém, até aquele momento, pensou que eu fosse capaz de tirar um curso superior; tinha sonhos, mas (julgo) não me achava capaz. Esta professora mudou o meu percurso com esta simples pergunta. Ela não questionou se eu pensava ir, ela apenas considerou que uma aluna como eu iria, naturalmente e garantidamente, para a faculdade. O meu percurso não foi fácil, não arrisquei quando devia ter arriscado. Quando terminei o 12.º ano entrei em Biologia, mas desisti porque não consegui conciliar escola e trabalho. Anos mais tarde, decidi tentar conciliar trabalho e faculdade (tudo em horário diurno), sabia que era difícil, mas a pergunta daquela professora nunca me saíra da cabeça. Tirei a licenciatura de 3 anos em 3 anos. Profissionalmente falando, ainda não alcancei o que desejo, mas pessoalmente, aquela professora mudou-me para sempre. Mudou o meu percurso, os meus objetivos, a imagem que tinha de mim. Ela não imagina até onde irá a sua influência. Nem eu. Mas acredito que um professor pode ser um marco fundamental na vida dos alunos (crianças e adultos).
Obrigada, professora Cristina.

Não tenho, propriamente, orgulho no meu percurso escolar; sei que paguei caro pelas minhas opções, mas também não sinto vergonha. É o meu percurso, foi o que vivi, faz parte do que sou. Se mudaria alguma coisa se voltasse atrás? Com certeza. Apesar de saber que foi o meu percurso que me trouxe até aqui, tentaria um trilho mais fácil.
Se leres isto um dia, filho, retém esta última parte: eu mudaria algumas das minhas opções. Lembra-te que a tua decisão de hoje influenciará o teu amanhã; pode não condicioná-lo ou defini-lo, mas que o influenciará, influenciará. Desejo que faças boas escolhas e que mesmo as menos boas te façam evoluir.

À conversa com o meu filho #5 - Mãe, tu dizes cada coisa!

Ele: Mãe, fica comigo. Não vás trabalhar.
Eu: Filho, hoje já é quinta feira, amanhã é sexta. E depois não vou trabalhar, vamos passear muito! Vem aí o Sábado. E o domingo!
Ele: Mas o sábado e o domingo não têm pés.


Tens razão, filho, mas podiam ter. Se tivessem, eu dizia-lhes: venham depressa, corram, o meu filho quer que cheguem rapidamente. E eu também.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

A minha pessoa preferida.

Claro que é uma eleição óbvia, ninguém se espantará com o resultado da mesma. Olhando para o nome deste blogue é mais do que previsível. Que coisa tão desinteressante. Mas, ainda assim, vou passar para palavras parte do que sinto quando penso que és a minha pessoa preferida, meu amor. Meu filho.
És a minha pessoa preferida porque nenhuma outra conseguiu que um simples contemplar de rosto, debaixo de uma luz de presença discreta, tivesse um efeito rejuvenescedor e calmante. Porque, antes de ti, nunca tinha pensado que a subida de um escorrega ao contrário e uma descida apressada de barriga e de cabeça para baixo, contrariando as regras da maioria, fosse sinónimo de valentia e de orgulho - para mim. Porque, antes de ti, ninguém curou as minhas feridas com um simples beijinho - tal como tantas vezes te digo, tu também me dizes "O teu dói dói vai passar com o meu beijinho". Porque nunca equacionei faltar ao trabalho por alguém mo pedir; agora, tu pedes, e eu equaciono sempre se não será um bom dia para fazê-lo. Porque, até hoje, ninguém me disse que queria ir trabalhar comigo; foste o primeiro. Porque ninguém me fez chorar e emocionar com tanta facilidade como tu. Porque nunca amei ninguém com tanta certeza e de forma tão pura e desinteressada como te amo, minha "pessoinha". Porque ninguém me fez acordar tantas vezes durante a noite como tu sem que isso abalasse sentimentos (qualquer outra pessoa a acordar-me tantas vezes como tu teria as malas à porta na terceira noite... e estou a ser simpática). Porque ninguém me disse "Não te preocupes, eu vou resolver isso" com a tua convicção (emociono-me quando dizes isto, sou uma parva, é oficial). Porque nunca vi ninguém esperar por mim com a alegria com que tu me esperas. Porque nunca senti que tivesse sido o n.º 1 na vida de alguém como sou da tua. E ninguém foi o n.º 1 na minha vida como tu és. Porque nenhum beijo pela manhã teve o efeito que o teu tem (tu nem és muito amigo de beijos, mas de quando em vez surpreendes-me). Porque ninguém me perguntou "Estás zangada?" com o teu tom matreiro, simultaneamente solidário, e averiguador - com esta pergunta pretendes averiguar, quase sempre, se podes esticar a corda mais um bocadinho. Porque ninguém me fez ler a história dos 3 Porquinhos 365 vezes por ano. Porque ninguém me está gravado no coração como tu estás. Porque ninguém me fez ter tanta vontade de regressar a casa ao final do dia como tu fazes (se me atraso por algum motivo, começo logo a contar os minutos a menos que temos para nós, preciso de descontrair em relação a este assunto, reconheço). Porque nada nem ninguém se compara a ti. Tens um jeito que me cativa, um sorriso que me contagia, um olhar que reconheço e, para além de tudo, és meu filho. És especial. É por isto, e por muito mais, que és a minha pessoa preferida.

Com todo o amor que nunca imaginei existir,
A tua mãe.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

A brincar é que a gente (pequena) se entende #9 - Expressão Dramática: parar uma birra em 3 segundos (sem garantia, mas com algumas probabilidades de sucesso)

É fácil, simples e divertido. Há uns dias lembrei-me de simularmos em frente ao espelho da casa de banho algumas emoções através de expressões faciais - arranjo sempre coisas muito interessantes para fazer quando vejo que uma birra gigante está prestes a despertar. Ontem, foi esta a forma que encontrei quando a dita chegou porque não queria tomar banho com o pai (não, não era o miúdo, a birra é que não queria tomar banho; não confundamos as coisas).

- Começo por pedir-lhe para fazer uma cara triste; e ponho, também, a minha melhor cara triste.
- Logo a seguir, incentivo-o a fazer uma cara de susto. E exemplifico. Constato que nem é preciso esforçar-me muito.
- De seguida, "vestimos" o rosto zangado.
- Depois, peço-lhe para sorrir. Ele imita-me, esboça um sorriso amarelo, como quem diz "O que é que esta quer?".
- Por fim, peço-lhe para rirmos à gargalhada. Esta é mesmo a mais divertida e aquela em que ele alinha com mais facilidade.
E assim temos: a tristeza; o medo; a raiva; a alegria. Se pensarmos no filme Inside Out, que ainda não vi, falta-nos a repulsa.

Da primeira vez que fizemos este jogo, ele demonstrou algumas dificuldades em expressar a tristeza e a raiva - digo ar zangado, ainda não me refiro a todas as emoções com a denominação correta, é um jogo que vai evoluindo à medida que o vamos repetindo. À terceira, já foi ele que sugeriu as expressões que faríamos. A de rir à gargalhada é, claramente, a que ele mais gosta e a que mais repete, mas já vai sugerindo a cara zangada e a triste.

Imagem retirada da Internet

Outras brincadeiras para trabalhar as emoções:
- Ter imagens que reflitam emoções e pedir à criança que as identifique.
- Jogo "Adivinha a emoção": Expressar a emoção e pedir à criança que a adivinhe.
- Durante a leitura de uma história, chamar a atenção da criança para determinada emoção expressa na ilustração.

Falando da situação de ontem em concreto, a birra sentiu-se intimidada com esta brincadeira antes do banho, mas no final do mesmo demonstrou a força que tem e teimou em aparecer sem ninguém a convidar. Percebi que estava cansado, anda a dormir menos durante o dia e fica com sono mais cedo. Perguntei-lhe se estava cansado. Ele respondeu que não a quer. Pergunto-lhe, "não queres estar cansado?". Ele responde, a chorar, que não quer a birra (dramático, este miúdo). Digo-lhe que o vou ajudar. Ele concorda. Ele para de chorar. Para já, resultou.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Reflexões profundas (ou não) #20 - Então, e o que é que se faz com este tempo?

Comemora-se o São Martinho, o Halloween ou iniciam-se as compras de Natal? 

Pensamentos que se atropelam

Não são pensamentos que originaram boas ideias: não fiz nenhuma descoberta grandiosa, nem encontrei uma forma de garantir um ordenado fazendo só o que me apetece. É mais uma tempestade de pensamentos confusos que se atropelam e que me baralham o cérebro em poucos segundos.
Termino a sexta feira com uma hora de espera por uma consulta de gastroenterologia, como se isso valesse muito a pena. Talvez valha, a médica é atenta e atenciosa, meticulosa e interessada. Esqueço-me ao que vou. Ela (não a Dra., uma Ela) telefona-me, digo-lhe que estou à espera que me chamem. Ela responde-me do outro lado: é pá tanto tempo, seja lá qual for o resultado, é melhor saberes já. Cai-me a moeda e penso que os ataques de sinceridade desta "gaja", por vezes, funcionam como bigornas em cima da minha cabeça. Vou saber o resultado de uma biopsia a um pólipo que me encontraram no tubo digestivo há 4 anos. Grande achado, penso. Pelo meio fui mãe e se sempre tive muita vontade de viver, com a maternidade essa vontade aumentou exponencialmente. Dramatizo, mas não consigo ignorar que carrego o peso da hereditariedade: o meu pai morreu com cancro no duodeno. E penso que o pólipo continua lá.
Relembro que há quase um mês cheguei ao hospital para fazer uma endoscopia com anestesia, mas decidi que a faria sem adormecimento porque o anestesista estava atrasado. Só de pensar na espera pelo Sr. Dr. e nas 2 horas que teria de lá ficar depois de a dita feita, desisti e anunciei à assistente que a faria sem anestesia. Ela, meio incrédula, anunciou a novidade à médica; até me pareceu bastante contente com a minha decisão, possivelmente estava na mudança de turno e dava-lhe jeito que a coisa não atrasasse muito. A verdade é que eu queria falar com a médica assim que aquilo terminasse; queria que ela me adivinhasse o resultado do exame.
Voltando à espera de sexta feira, depois daquele telefonema comecei a pensar nas hipóteses do resultado. Não são assim tantas: ou o resultado é bom, ou é mau. Pensei no meu pai. Pensei no meu filho. Pensei nas minhas pessoas. Pensei na vida. Pensei no que duas miúdas, mais novas do que eu, com mais filhos do que eu, estão a passar. Em algum momento devem ter tido uma consulta em que aguardaram uma resposta positiva, mas depararam-se com uma negativa. Tenho sempre mais medo dos resultados do que fazer os exames, é fácil perceber o motivo. Talvez eu estivesse em vantagem, a Dra. já me tinha dito, assim que terminou a endoscopia, que não viu alterações de tamanho desde 2012, que o aspeto era o mesmo e que, possivelmente, o resultado seria semelhante. Tudo se confirmou, mas tive ali uns momentos em que pensei: e se esta porcaria acusa algo menos bom (leia-se cancro), o que faria, como reagiria, o que mudaria na minha vida. Pensei que se aquela porcaria fosse má, pegava nas poupanças e ia viajar com os miúdos. E se fosse boa, porque não faria o mesmo? Que mania esta, a de adiarmos o que merecemos e podemos fazer. Porque é que não vivemos isto como se fosse sempre o final do Verão? A aproveitar tudo ao máximo. A verdade é que, de um momento para o outro, começa a trovejar e só aí é que nos lembramos do que poderíamos ter feito quando estava bom tempo. Continuo com a gastrite e com a bactéria por aniquilar. Vou ter de repetir o cocktail de antibióticos e realizar um exame mais completo para perceber a origem, mas isto, considerando outras hipóteses, são boas notícias. 

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Olá Maio de 2016

Maio, gosto de ti, tu sabes. Gosto das tuas cores, da alegria que carregas, da leveza que nos dás com a aproximação do Verão e das férias. E tu, apareces-me assim!? Chuvoso, ventoso, frio, semelhante a um Janeiro ou a um Fevereiro!! Não sejas difícil, tira a máscara de Inverno e veste-te de Primavera, que é o que tu és. Estou à espera. Estamos à espera.

Créditos de imagem: M.O.D

Reflexões profundas (ou não) #19 - Obrigada chuva

Obrigada por fazeres a minha vez na lavagem do automóvel que, por mero acaso, estava carregado de pó, mas agora podes ir andando. Ah, só mais uma coisinha: se continuares por aqui mais uns dias e se puderes, só se puderes, lava também o interior do veículo. Grata.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Adeus meu querido mês de Abril de 2016

Estivemos de férias nos primeiros dias do mês. Fomos a 2 aniversários e a 1 casamento. Várias pessoas que admiro e que me são queridas fizeram anos este mês. Aproveitámos os bons dias que nos cumprimentaram e, até, os menos bons. Tivemos um fim de semana prolongado, mas achámos que o podíamos prolongar mais um pouco; tirei mais 1 dia de férias (fim de semana de 4 dias? sonho com isto, pelo menos, 1 vez por mês).
Telefonaram para nos informar que há vagas num Jardim de Infância, no qual inscrevi o miúdo há mais de 1 ano; a corrente pedagógica é o Movimento da Escola Moderna; bati palmas de alegria. Colocaram-se em cima da mesa questões práticas, nomeadamente: quem o leva e a que horas? Quem é que o vai buscar? Vem na carrinha? Ainda não sabemos se há vaga na carrinha. O valor da mensalidade, razoável para nós, permite que ele fique até às 18h00. E quando necessitar de ficar até mais tarde, como fazemos? Está aberto em Agosto, mas temos de tirar 10 dias úteis de férias durante os meses de Julho e Agosto; e temos te tirar 22 dias úteis de férias por ano. O pai, nos últimos anos, nem 10 dias de férias consegue tirar, quanto mais 22; e eu posso não conseguir. Como vamos fazer? De todos os que visitei, é o mais distante da nossa casa, mas um dos mais desejados. E os pontos menos positivos até se tornam fáceis de contornar, tal não é a nossa (principalmente, a minha) vontade de o inscrever lá.  Fizemos a anamnese, a decisão de inscrevê-lo está nas nossas mãos.
Terminámos o mês a brincar na praia com a prima (sem banhos), a fazer castelos e a rebolar na areia. Prenúncio de um excelente Verão! Adeus meu querido mês de Abril, passaste bem. Gostei de ti.

A menina dos anos: 3 em maio

Ela nasceu quando eu tinha 5 anos. Existe uma fotografia em que é notória a minha adoração por ela desde que nasceu: estou com um ar de quem, sem pedir, recebeu o melhor presente de sempre (anos mais tarde, vim a saber que podem existir presentes ainda melhores; sem ofensa à menina dos anos, mas filho e sobrinha conseguiram superar, só um bocadinho, vá). Foi o primeiro bebé que esperei (a minha tia não conta, nasceu quando eu tinha um ano, não a esperei propriamente, apareceu-me lá em casa). Era irrequieta e conseguia meter toda a gente a chorar à hora da refeição, já nessa altura tinha a mania que podia liderar. Era tão índia, tão índia: gostava de andar descalça (ninguém imaginava que se tornaria na arranjadinha da família, ao contrário da minha pessoa); trepava tudo o que lhe aparecia à frente; atirava brinquedos pela janela; estragou os meus brinquedos (quase) todos, sem eu me chatear com isso; dormia mal; perdia-se muitas vezes no parque de campismo onde passávamos férias, já era conhecida na zona e arredores.  Vestia a minha roupa às escondidas. Defendia-me quando a minha mãe se "passava" e vice-versa. Cresceu. Foi sempre uma excelente aluna, daquelas que não necessitavam de qualquer orientação ou instrução para estudar, muito metódica e organizada, com cadernos estranhamente organizados (para mim) e limpos. Apesar das notas elevadas e das sugestões para seguir uma profissão na área da saúde, demonstrou cedo o que queria ser quando crescesse: professora. É esta a sua profissão. É decidida, a miúda. Ensina com paixão, com garra e com entusiasmo. Vivemos juntas durante 3 anos, sozinhas, com tudo o que isso implica: conflitos "matrimoniais" incluídos. Passámos por muitas coisas juntas: boas e más. Sobrevivemos. :) 
Um dia cresceu mais um pouco e realizou o que julgou ser um grande sonho. Depois, foi mãe de uma bebé muito, muito desejada  e maravilhosa (a meu ver, este foi o grande feito da sua vida, sou suspeita, claro, mas é verdade). O chão seguro por onde andava tremeu, ruiu e ela caiu. Agarrou-se, levantou-se, equilibrou-se e voltou a caminhar. Acho que lhe custou mais reaprender a caminhar do que aprender a andar. Mas lá vai ela, com a força que lhe é característica. De cabeça erguida, porque não tem motivos para a baixar (pelo contrário). E eu a vê-la com orgulho e a confiar nos seus passos. 
Não adivinho o que lhe está reservado, mas confio que o melhor está para vir. E é com este dia de Verão, a contrariar esta Primavera incerta (amanhã, parece que chove), que adivinho um caminho virtuoso e extraordinário a contrariar a tempestade que ela enfrentou.
Ela, a menina dos anos "3 em maio", é a minha irmã.
Admiro-te muito. És especial. Conseguirás tudo! Que ninguém, nunca, te faça duvidar de ti. És uma grande pessoa que merece um grande destino. Parabéns, pequenina.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Dia da Mãe / Grandes livros para pequenos leitores #12 - Meu amor

O dia da Mãe não foi como imaginei. É a vida. Há muita coisa que não é como imaginamos. O amor que a maternidade me trouxe, esse sim, tem sido muito mais do que imaginei e, no dia de hoje, é o que importa. Importa dizer-te, filho, que estivemos juntos, que andamos de comboio, que passeamos por Lisboa, que almoçamos juntos, que regressamos a casa juntos, que comeste o teu primeiro gelado (foi feito por mim, mas tive de o transformar em batido porque estava mesmo muito gelado), que dormiste no carrinho enquanto eu o empurrei por trilhos de calçada portuguesa, que comprei o livro que está no título deste post e que o li vagarosamente, com sentimento e com sentido, procurando olhar-te nos olhos nos excertos que considerei mais importantes. Só nós: eu e tu. 
Conversamos muito, procurei satisfazer a tua curiosidade em relação à viagem de comboio. Distinguiste o campo da cidade, à medida que a paisagem ia mudando. Exclamaste em cada túnel. Olhaste o rio pela janela. Admiraste os barcos. Questionaste cada paragem, cada apito e cada fecho de porta. Andaste no comboio que tantas vezes vais ver à estação e que tantas outras te faz levantar a cabeça no parque. 
Senti-te mais crescido. Ou, talvez tenha sido eu que cresci mais um pouco. Alegra-me e entristece-me ver-te crescer. Entristece-me crescer. Mas sinta lá o que sentir, amo-te sempre meu amor. E "Meu amor" é o título do livro que (nos) comprei para assinalar este dia, que começa com o filho a perguntar: Mãe, vais amar-me durante toda a vida?


"Amo-te desde que te conheço e até antes disso.
...
Amo-te quando fazes como eu, e quando fazes como tu.
...
Amo-te quando te esforças, e quando eu me esforço.
...
Amo-te quando consegues, e quando vais conseguir.
Amo-te quando te lembras de mim, e quando te esqueces.
...
Amo-te quando vais à guerra, e quando mudas de ideias.
...
Amo-te quando és tu próprio, e quando não te reconheço.
Amo-te quando me ouves, e quando é a minha vez.
...
Amo-te quando estamos junto, e quando vocês estão juntos.
...
E pronto, é este o meu segredo. Amo-te todos os dias. Para sempre."

É um livro de Astrid Desbordes e Paul Martin, da editora Edicare. Quando o vi, pareceu-me um livro antigo, talvez pela ilustração, não sei. No entanto, 2016 é o ano da 1.ª edição. Para mim, este livro é uma verdadeira declaração de amor. Tão simples e tão verdadeiro.

Feliz dia para ti, filho, que me fazes comemorar este dia no papel de mãe.
Feliz dia para ti, mãe, que me fazes comemorar, desde sempre, este dia no papel de filha.

Estrito a 1 de Maio de 2016.