quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Adeus meu querido mês de Dezembro

Adeus meu querido mês de Dezembro. Foste especial, foste um mês de comemorações, foste cheio de momentos que queremos guardar, repetir, perpetuar. Aproveitámos-te bem, não mudes nunca.

No primeiro fim de semana do mês almoçamos numa quinta de amigos de uns amigos nossos. Gente que recebe com simplicidade, gente que, mesmo não nos conhecendo, nos deixa à vontade. A quinta tem ovelhas, porcos, cães, coelhos, gatos, galos e galinhas. Ele adorou. Jogou matraquilhos pela primeira vez. Jogámos à bola e à apanhada. Ouviram-se gargalhadas e sentiu-se o cansaço de tanta correria.

No segundo fim de semana aconteceu o tradicional almoço de Natal. Grandes e pequenos, todos à mesma mesa. Boas e más disposições a dividirem as atenções. Ele correu que se fartou (mentira, não se fartou), brincou. Depois de almoço, peguei em 4 crianças e fomos ao parque; pelo caminho, apanhámos flores e folhas; pisaram-se as folhas de Outono; andaram de baloiço; subiram e desceram escorregas; brincaram com a areia e subiram à casa do Parque. Comprei espadas (1 €) e uma embalagem de bolas de sabão (0,50€) para oferecer aos mais pequenos. Foi divertido e, ao contrário do almoço de Halloween, não houve birras pelo mesmo brinquedo.
A festa prolongou-se e jantámos com um casal amigo. Gostei de ver o meu filho brincar com o filho deles. Eles têm a mesma idade, estava tudo à espera que se chateassem por quererem as mesmas coisas, mas não. Eles entenderam-se, eles brincaram, eles partilharam. Ele gostou de estar na casa do amigo. Foi um dia cheio.

No terceiro fim de semana fizemos o nosso passeio de Natal, porque, como já disse, quero mais tradições, mais recordações e menos consumições. Em primeiro lugar, porque não há hipóteses de grandes consumos; depois, porque há coisas bem mais interessantes do que comprar.

No quarto fim de semana, que foi prolongado, foi o Natal e ele casou os meses. Fez 27 meses no dia 27. Cantámos-lhe os parabéns.

No quinto fim de semana, que também será prolongado, vamos comemorar o ano novo. Vamos para o campo brincar e comemorar com amigos. Ele associa este nosso passeio à história "Rato do campo e Rato da cidade", de que falei aqui. Gosto de guiar as suas descobertas e associações, através de exemplos reais. Procuro transmitir-lhe conhecimentos e orientar aprendizagens que tenham significado para ele. Vou levar este livro para lermos a descrição da vida no campo, no próprio campo.

E 2015 chega ao fim. E aqui está mais uma hipótese de iniciar ou recomeçar alguma coisa que valha a pena; apesar de termos 365 ou 366 dias por ano para o fazer, os recomeços de Ano Novo são especiais e mais intensos.
Adeus Dezembro; Olá Janeiro.
Adeus 2015; Olá 2016.
Adeus ano de conflitos (a vários níveis, inclusive a nível mundial); Olá Paz, esperamos por ti em 2016.

Imagem daqui.
Feliz Ano Novo! 

Reflexões profundas (ou não) #17 - Constatações e desejos

Nesta casa não houve calendário do advento. Acho a ideia interessante, apesar de não a considerar uma tradição familiar. este calendário nunca esteve presente nas minhas comemorações natalícias. No entanto, no próximo ano não me escapa, mas não quero cá calendários com um chocolate em cada dia... Eu sou lá pessoa de ter uma caixa de chocolates aberta 24 dias; abro a caixa num dia e, no máximo, no dia seguinte não há nenhum chocolate para contar a história. E não me venham dizer que isso é para o miúdo, que eu nem sou pessoa de lhe dar doces (sim, sou dessas). Se bem que ele, este Natal, comeu um chocolate às escondidas. E mais umas mini fatias de bolo. Parece-me que o meu reinado tem os dias contados.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Reflexões profundas (ou não) #16 - A traição e as dores de acordo com o género

Irritam-me as pessoas em geral, e os homens em particular (em particular porque foi um homem que fez um comentário a este respeito mais do que uma vez), que dizem "ai coitadinho que foi traído, ela era isto, ela era aquilo". Dizem isto com um ar de sofrimento e com uma solidariedade que deviam utilizar para abraçar boas causas. Quando é o contrário, quando são elas a ser traídas, não passa de uma constatação, não há compaixão, não há lamentações profundas e não há acusações infundadas. 
Ele é coitadinho, porque foi traído; e ela, que traiu, é uma grande ca(?)ra. Ela, quando é traída, tem um feitio muito especial, também tem culpa; a culpa, afinal, é sempre dos dois. Parem de me aborrecer, pode ser? Sim, sim, estamos em época de festividades, mas há coisas que me aborrecem o ano inteiro. 
O que é que vocês, pessoas a quem esta "reflexão" pode ser dirigida, acham? E que tal pararem de avaliar e catalogar dores e sofrimentos de acordo com o género e começarem a falar apenas de traição (se isso for tema que vos interesse, claro). Da dor que a traição pode causar. É isto que vos atormenta, certo? O problema é que vocês não sabem expressar muito bem os vossos sentimentos, não é?

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

À conversa com o meu filho #3

No domingo, nostálgica pela aproximação da segunda feira, ou melhor, pela aproximação do dia em que tenho de o deixar para ir trabalhar, olhei-o nos olhos e disse-lhe: Filho, vou ter saudades deste momento. Vou ter saudades tuas, vou ter saudades de como és agora. É que és mesmo maravilhoso. 
E chorei. Agora ando assim, emociono-me por dois motivos: por tudo e por nada, sendo que este motivo é o meu TUDO.

Na segunda feira, a AMA abre a janela e diz-lhe que está frio.
Ele responde com ar de desdém: Então fecha a janela!

Eu ralho com ele.
Ele procura-me através do olhar, olha-me nos olhos, estica-me os braços, diz "mamã, oh mamã" e encosta a cabeça no meu peito. Safado!

Às dez da noite, a caminho de casa, ele vê a biblioteca; diz várias vezes que quer ir à biblioteca. Quando chegamos a casa faz uma birra porque está cansado, mas tenta resistir ao sono; ainda está eufórico com as brincadeiras que teve com a prima. Eu agarro-o, encosto-o ao meu peito e balanço o seu pequeno corpo embrulhado no meu, enquanto lhe conto uma história. Ele adormece em cinco segundos. Eu gravo a sensação de o aconchegar no meu peito, na minha memória, no meu guardador de recordações, no meu coração. E fecho-o para que nada desta memória se perca.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

E um Feliz Natal aconteceu...

Tal como desejei, dancei, cantei, brindei e sorri. Fui feliz e vi os outros felizes. Também chorei - sim, foi um choro de tristeza, infelizmente; estes choros, por vezes silenciosos, fazem-me ver as coisas de outra forma, alertam-me, trazem-me clareza, mas passam. E o Natal continuou e reinou. 
Nós - eu, ele e ela - fizemos pinturas no dia 24 de manhã; eu e ele lemos-lhe a história do Pai Natal, ela ainda não conhecia a "nossa história" deste Natal; cantamos e dançamos; almoçamos juntos nos dias 24 e 25.
Apareci na casa da minha irmã no dia 24 de manhã com uma carta do Pai Natal, endereçada aos dois e restante família, mas direcionada, objetivamente, a ela (ele quer lá saber desses pormenores); com o objetivo de justificar a retirada de todos os embrulhos que foram colocados debaixo da árvore de Natal da minha mãe (é suposto os presentes aparecerem no dia 24, entendido?). A carta dizia:

Deixei aqui, por engano, presentes de Natal que não são vossos. O papel de embrulho e o formato dos presentes são muito parecidos e eu, com tanto trabalho, enganei-me. No entanto, não se preocupem, eu e os Duendes já os viemos buscar e estamos a trabalhar muito para que possam receber os vossos presentes na noite de Natal. Deixaremos os presentes à vossa porta nessa noite. 
Desculpem a troca de presentes,
Beijinhos e abraços para todos.
O Pai Natal.

Ela mostrou a carta à mãe e ao tio, que a leram, novamente, em voz alta. Ficou comprovado que não fui eu que inventei aquelas palavras, estava escrito, o Pai Natal escreveu-lhe mesmo. Em resposta, eu e ela escrevemos uma carta ao Pai Natal a pedir que deixasse os presentes no dia 25, se pudesse, claro, uma vez que ela não estaria cá no dia 24 à noite.
O Pai Natal deixou presentes à porta da casa da avó na noite de 24 e na tarde do dia 25. Deixámos um prato com bolos para o Pai Natal no parapeito da janela da casa da avó. Bateram à porta e ouviu-se um Ho-Ho-Ho. Fizemos um grande alarido em torno disso e corremos todos em direção à rua. Vimos a cara de espanto dele no dia 24 e a dela no dia 25. Abrimos a porta. Encontrámos os presentes à porta, tal como o Pai Natal prometeu. Muitos! O Pai Natal e os Duendes comeram os bolos que deixámos no parapeito da janela. Na noite de 24 éramos 11 à mesa; no dia 25 éramos 6. Na noite de 24 a euforia foi dele; no dia 25, e apesar de ser com a luz do dia,  foi a vez dela. Os dois acreditaram que o Pai Natal passou por ali, que deixou presentes para todos, satisfazendo os desejos mais secretos de cada um.
Ele ficou encantado com o facto de o Pai Natal lhe ter devolvido o cavalo que tinha perdido; ele diz a toda a gente que o Pai Natal encontrou o seu cavalo que estava debaixo de um carro (ele perdeu-o na rua quando estava com a Ama e ela, possivelmente, deu-lhe esta justificação). Para além disso, ainda ganhou um outro cavalo que se tornou amigo do "primeiro"; agora, leva os dois para todo o lado; o primeiro é o Trovão, o amigo é o Kikas - este nome é um bocado desadequado a um cavalo preto e imponente, mas foi batizado assim.
No dia 25 de manhã, acordámos a querer prolongar a magia do Natal. Montámos uma tenda que lhe ofereceram na sala (não lhe entregámos todas os presentes ao mesmo tempo), com este livro embrulhado lá dentro e ao som da música de Natal que temos ouvido repetidamente nos últimos dias. Assim que chegou à sala, fixou o olhar na televisão, no vídeo da música que lhe é familiar, à espera que o boneco do Pai Natal aparecesse a dizer adeus. Só depois é que viu a tenda. Adorou, mas o primeiro impacto não foi o que estávamos à espera - toma lá que é para não serem parvos, o miúdo valoriza o que ele quer, não o que vocês querem. No dia 25, já com a prima, foi a vez de desembrulhar a guitarra que lhe comprámos. Ela recebeu um microfone. Temo que formem uma banda e que me obriguem a tocar pandeireta... Assim de repente, não encontro vocação na minha pessoa para tocar mais nada (sem ofensa às pessoas que tocam pandeireta; parece-me mais fácil do que tocar guitarra ou cantar; talvez até nem seja...).
Ela, quando viu a quantidade de prendas à porta de casa da avó ficou eufórica, recebeu muitos presentes. Um deles, foi o que ela pediu ao Pai Natal na escola.  Eu vi o brilho dos seus grandes olhos. Fiquei feliz por lhe termos proporcionado isto. Os últimos dias para ela não foram fáceis, mas naquele instante, estava tudo bem. Está tudo bem e vai ficar tudo ainda melhor. O Pai Natal existe. Mesmo.
Os dois receberam trotinetes e a tarde do dia 25 foi passada na rua, com manobras de diversão (e tentativas de manobras, no caso dele); com plateia a assistir (eu e a minha irmã; o pai, o tio e o avô dele) e com palmas de incentivo.
É isto meus amores, queremos aplaudir-vos, quer seja pelo que conseguem alcançar facilmente, quer seja pelas tentativas que falham. Foi um Feliz Natal, não há dúvidas que foi, principalmente porque vocês existem e dão um significado muito especial a esta comemoração. 

domingo, 27 de dezembro de 2015

O menino que vestia livros

Era uma vez um menino que no dia em que nasceu, em vez de uma manta quente e macia, foi embrulhado em livros velhos. Os seus pais viviam num país distante, longe da família e dos amigos, com poucas hipóteses de comprar roupas macias e confortáveis, lençóis de algodão ou mantas quentes. Decidiram então, fazer das folhas de livros velhos, que outros dispensavam, a primeira roupa para o seu bebé. À medida que selecionavam os livros que utilizariam no fabrico da delicada roupa, iam descobrindo que o "Planeta dos Livros" é imenso. Até ali nunca tinham imaginado que existiam tantas espécies de livros; classificados por idades, de acordo com a ilustração, de acordo com o objetivo, de acordo com os materiais de que são feitos. A variedade era tão grande que eles sentiram necessidade de pesquisar mais sobre o novo (para eles) e admirável mundo desconhecido. Para os ajudar nesta tarefa, recorreram ao bibliotecário da Aldeia que lhes permitia longas estadias na Biblioteca. Desta forma descobriram, pesquisando, uma grande variedade de livros e conseguiram aprender, também através de um livro, a remendar e a costurar.
Todos os livros que outros não queriam, todos os livros cuja data de validade tinha sido ultrapassada (porque não eram adequados a determinadas idades ou porque estavam fora de moda), todos os livros desperdiçados por terem menos uma ou mais páginas, todos os livros com os cantos roídos, foram aproveitados pelos pais do menino que nasceu no país longínquo e que nada tinha para vestir no dia em que nasceu.
Os livros de tecido foram aproveitados para fazer o interior da roupa, para que o menino se sentisse confortável.
Os livros sem ilustrações foram utilizados para fazer as calças com um padrão mais sóbrio.
Dos livros profusamente ilustrados, fizeram-se camisolas divertidas e cheias de cores, para que o menino, através do seu olhar curioso, pudesse descobrir as cores. Das capas rijas, fizeram-se moldes para os sapatos e para um chapéu a condizer.
Depois do primeiro conjunto de roupa, os pais decidiram que, até encontrarem outra solução, iriam aperfeiçoar a técnica de utilização de livros para a realização de roupa. E assim foi: tornaram-se especialistas na arte de tricotar livros; inventaram uma nova moda; começaram a receber encomendas de todos os lados do mundo. Os embrulhos que colocavam na caixa do correio na altura do Natal, para os familiares e amigos distantes, levavam sempre uma lembrança personalizada tricotada com entusiasmo. Eram presentes originais e inesquecíveis, com mensagens personalizadas, únicos e feitos à medida de cada um.
O menino, devido ao contacto precoce com o mundo dos livros, cedo demonstrou aptidão para as letras e para o desenho. Quando cresceu, tornou-se num grande escritor e ilustrador e era conhecido mundialmente como o escritor que escrevia e vestia livros.

Filho, esta história é baseada em todas as vezes que nos pediste fita cola para arranjar os livros que rasgaste; é inspirada nas nossas visitas à biblioteca e em todas as noites que nos pediste, baixinho, para contar uma, duas, três ou mais histórias antes de dormires.
Arranjar livros já foi um dos teus passatempos preferidos. E rasgar também... De vez em quando, ainda o é. És o nosso mini-costureiro de livros.
Hoje, neste dia 27, fazes 27 meses. "Casas" os meses meu amor pequenino. Parabéns e obrigada por tornares tudo isto tão perfeito e com tanto sentido. 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Desejar um Feliz Natal é desejar...

Mais igualdade,
Mais tolerância,
Mais simplicidade,
Mais respeito,
Mais tranquilidade,
Mais paz,
Mais solidariedade,
Mais família,
Mais amizade,
Mais saúde,
Mais felicidade.
No fundo, tudo isto é mais amor. Tudo isto é mais Natal. Tudo, com excepção da saúde, depende apenas de cada um de nós, em particular, e de todos, em geral. 

Créditos de imagem: Wishªcolor

Este Natal: quero dançar, quero cantar, quero brindar, quero sorrir, quero chorar, se tiver vontade, quero sentir, quero viver. Quero ser feliz e fazer os que me rodeiam felizes. Quero um Natal de verdade!
Um Feliz Natal para o mundo!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Foi assim que aconteceu #6 - O teu primeiro Natal, o meu primeiro Natal como mãe.

"O tempo foi pouco para ir às compras. Tu ainda nem três meses tens e eu não queria andar contigo em centros comerciais. Mesmo assim, ainda fomos duas vezes às compras na parte da manhã, hora de menos confusão.
Queria uma árvore de Natal, mas a oportunidade de comprá-la surgiu poucos dias antes do Natal e, como é óbvio, estava tudo escolhido. Resolvi que este ano a nossa árvore seria do teu tamanho (60 cm) e assim foi. Tivemos uma árvore de Natal com enfeites comprados propositadamente e com enfeites emprestados pela avó.
Queria que estreasses roupa nova. Não estreaste um conjunto, mas sim dois. Apesar de acharmos que comprar roupa muito cara para usares tão pouco tempo é um desperdício, gastámos mais do que o previsto e não chorámos o dinheiro.
Eu e o pai cantámos-te uma música de Natal. Apoderou-se de nós o espírito natalício e foi um grande momento. Tu arregalaste esses olhos grandes e maravilhosos que tens com ar curioso. sabe-se lá o que pensaste.
O jantar de Natal foi na casa da avó com os primos, com a tia, com as avós maternas, com a madrinha, com o tio, com o filho deste, e com o tio emprestado. Este tio é um daqueles amigos que, sempre que quer, passa o Natal connosco. Uma casa cheia de gente, uma mesa cheia de comida, um dia cheio de amor. Andaste de colo em colo, adormeceste e eu fiquei com sono mais cedo do que o desejado – fruto das noites mal dormidas. Trocámos e abrimos os presentes, tu e a prima foram os que receberam mais presentes, outra coisa não era esperada. Gostava que não te oferecessem quilos de brinquedos. Gostava que recebesses um ou dois, de que realmente gostasses e ligasses, um ou outro livro e ponto final. Não quero ser inconveniente com ninguém, mas quero que dês valor ao que recebes e que compreendas o genuíno espírito natalício, que não passa por receber, receber, receber. Este Natal ancho que consegui. Há tantas outras coisas boas que podem fazer parte do Natal… espero conseguir incluí-las na nossa família.

Este ano, as ofertas foram muitas e quero registá-las apenas porque é o teu primeiro Natal. Não serão os presentes oferecidos que marcarão a tua vida, mas sim as recordações que o teu coração guardará.
Oferecemos-te, juntamente com a tia, uma cadeira de refeições. A ideia foi dela e é um presente útil.
Um amigo da tia ofereceu-te um livro de pano de que tu gostas muito.
Eu e o pai oferecemos-te roupa. O pai escolheu ainda um conjunto de roupa "fixe" para ti. Eu ofereci-te a girafa Sofia, espero que gostes. Lembra-me a minha infância, a tua madrinha tinha uma.
A avó comprou-te roupa. A bisavó ofereceu-te um casaco lindo. A tua madrinha ofereceu-te um casaco de malha, um brinquedo para agarrares e um tapete de atividades com os animais da quinta. Acho que te vais divertir muito com este brinquedo. O tio emprestado ofereceu-te roupa.
O almoço de Natal foi na nossa casa com os avós paternos e com o tio. Os avós compraram-te roupa muito bonita e uma manta.
O nosso desejo era reunir toda a gente na nossa casa, mas não foi possível. Coisas de adultos que não se percebem muito bem! Um dia, se quiseres saber, explico-te.
Foi assim o teu primeiro Natal, rodeado por quem te ama, ao colo de quem te quer muito bem, com presentes úteis e quatro brinquedos que, certamente, gostarás.
Feliz Natal, filho. Desejo que tenhamos muitos Natais felizes."


Escrito no dia 24 de Dezembro de 2013

Foi assim que aconteceu #5 - Uma pequena retrospetiva dos meus Natais

"Em miúda/adolescente adorava o Natal pela alegria que se vive nesta época, que devia prolongar-se o ano inteiro. Gostava dos preparativos, gostava de fazer a árvore de Natal no início de Dezembro, gostava de comprar prendas para todos, tendo em conta o que cada um gostaria de receber, gostava de ver a árvore de Natal cheia de prendas, gostava da reunião familiar na véspera de Natal, gostava de ver a cara das pessoas quando abriam as prendas, gostava de receber prendas, gostava das ruas cheias de gente, principalmente na baixa Lisboeta. Gostava ainda, e muito, de poder trazer para casa na noite de Natal quem quisesse comemorar esta data connosco. Não era necessário ser familiar, bastava que essa pessoa assim o desejasse. Aconteceu algumas vezes trazer pessoas conhecidas e amigas, que não tinham com quem passar a noite de Natal, para a nossa casa. Elas passavam a fazer parte do nosso Natal e esse espírito, para mim, era o verdadeiro espírito natalício.
Lembro-me, porém, de não gostar muito de “interromper” o Natal na casa da minha mãe para ir almoçar a casa do meu pai. Não que eu não quisesse estar com ele, não que eu não gostasse dele (pelo contrário), mas não sentia a casa dele como minha e isso quebrava aquele espírito de felicidade plena e a minha euforia. Na casa do meu pai era tudo tratado com mais seriedade e formalidade, pelo menos era assim que eu sentia. Lembro-me de achar que a árvore de Natal da casa dele era mais bonita do que a nossa, era maior, tinha mais variedade e mais quantidade de enfeites, tinha um presépio com musgo e tudo, os doces expostos na mesa eram mais e, aparentemente, melhores. No entanto, não era a minha árvore de natal, não eram os meus enfeites, não tinha sido eu a fazê-la, não eram os nossos doces, não era o arroz doce da minha avó, não era a minha gente, não era a minha casa cheia de mulheres - pelo menos até 1995, ano em que o meu afilhado nasceu. Por tudo isto, se me dessem a escolher, não trocava o meu verdadeiro Natal por aquela visita natalícia.
Gostava de estar com meu pai? Sim, gostava, mas naquele dia eu sentia-me ainda mais estranha na casa dele.
Revoltei-me um pouco com o Natal, e com o mundo em geral, quando o meu pai morreu. Coisas menos boas aconteceram na minha vida e eu culpava-o por tudo. Ansiava por paz, mas não a alcançava. Chorava a morte dele e as oportunidades perdidas para sempre, mas não as ultrapassava. Queria sair daquele estado de tristeza-revolta, mas não conseguia. Desde 2005 até 2012 (inclusive) não fiz árvore de Natal uma única vez e o espírito era outro. Tudo melhorou no ano em que a minha sobrinha nasceu, mas o verdadeiro espírito natalício e a vontade de recuperar tradições natalícias renasceu este ano. Nasceu este ano, porque o meu filho nasceu e eu quero que ele tenha raízes e recordações dos seus Natais.

Filho, a construir novas tradições de Natal desde 2013 para que tenhas boas recordações.
Obrigada meu amor, bem-vindo ao nosso Natal."

Escrito no dia 24 de Dezembro de 2013.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Reflexões profundas (ou não) #15 - A chegada do Inverno traz dias maiores

Hoje começa o Inverno. A verdade é que começa amanhã, mas no meu tempo de escola aprendi que o Inverno tem início no dia 21 de Dezembro, logo, celebro o Solstício de Inverno à antiga. Por vezes, sou resistente à mudança. 
Este Inverno apresentou-se frio, com um nevoeiro que lhe dá um ar misterioso, com uma luminosidade Natalícia, em que as luzes sobressaem por entre o ar esbranquiçado da rua. Sei que anda tudo a reclamar deste tempo, mas eu, e apenas esta semana, quero que ele se mantenha. Este tempo é tempo de Natal. E o Natal está aí não tarda.
E para terminar, uma reflexão que só me deve interessar a mim: É, precisamente, no dia seguinte ao do início do Inverno que os dias começam a crescer. Começa o Inverno e os dias começam a ter luz até mais tarde. Começa o Inverno já com uma promessa de Primavera a caminho. Nunca tinha pensado nisto desta perspetiva, até que um senhor mo disse.  Bem vindo Inverno. 

Um presente de Natal para os três

Um passeio a Óbidos. Uma visita à Aldeia Natal a três.
A zona do castelo de Óbidos é bonita (para mim) independentemente da época. Ir lá nesta altura foi especial, ir lá desta vez foi especial porque fomos os três pela primeira vez. Confesso que existem alguns elementos artificiais inseridos na paisagem que me "chocam", na medida em que não os vejo naquele cenário de forma natural, mas gosto do espírito; pelo menos, gosto do espírito com que fomos. O passeio foi vivido como uma visita à Aldeia onde o Pai Natal vive e trabalha. Dissemos-lhe que o Pai Natal está muito atarefado a preparar a noite de Natal, juntamente com os Elfos e com os Duendes (personagens que fazem parte do livro que comprámos para lhe falar do Pai Natal) e que, por isso, podíamos não encontrá-lo.
O que ficou do nosso passeio de Natal a três: Uma subida ao castelo; um almoço num sítio acolhedor; a animação de marionetas; o anunciar a entrada na Aldeia do Pai Natal; uma entrada com queda de neve artificial; um percurso por trilhos ligeiramente difíceis; o chegar à Aldeia Natal; um passeio no comboio do Pai Natal; uma volta de carrossel num cavalo da Aldeia Encantada; entradas e saídas em casas e estábulos; fotografias no trenó do Pai Natal e no balão; as histórias contadas em torno do cenário; o senhor que vende castanhas que o convidou a tirar uma fotografia em cima do burro; assistir a um dos espetáculos que vão acontecendo no recinto; a animação de rua; o Pinóquio de madeira que comprámos; a descida pelas ruelas do castelo; beber uma Ginja de Óbidos em copo de chocolate; a lembrança do nosso passeio de Natal a três, os sorrisos e as gargalhadas que queremos guardar.
Durante este passeio, ele viu, pela primeira vez, um presépio em ponto grande. Viu o menino Jesus nas palhas deitado, viu José e viu Maria. Falou no menino Jesus várias vezes; aquela imagem marcou-o (positivamente) de alguma forma. Ontem, disse-nos que é o menino Jesus, que o pai é o José e que eu sou a Maria.
Optámos por não esperar para tirar uma fotografia com o Pai Natal. Achámos que a fila de espera não é compatível com a história de fantasia e magia que andamos a encenar. Ele, quando viu a fotografia do Pai Natal, disse-me "Mãe, o Pai Natal é o senhor!?"... O miúdo acredita no Pai Natal, mas só no que não se assemelha a um comum mortal. Ao boneco ilustrado do livro, ele chama Pai Natal; ao senhor vestido de Pai Natal, não. A minha luta para o fazer acreditar no Pai Natal até aos 18 anos continua. Sei que esta luta é ambiciosa, mas pelo menos que ele acredite, este ano, que o senhor velho, barbudo e barrigudo vestido de vermelho é o Pai Natal. É pedir muito!? A verdade é que parece que o mundo inteiro se uniu para me tramar: Ora é o homem vestido de Pai Natal que é magro; ora é o pai do miúdo que diz "Este não é o Pai Natal, nem barba tem!"; ora são os senhores (que acabaram o secundário o ano passado) que têm tudo menos ar de Pai Natal. Para que nos entendamos, o Pai Natal é um senhor velho, barrigudo, com uma grande barba branca, com óculos (podemos dispensar os óculos), bonacheirão, simpático e com ar de avô.
Oferta de emprego: Procura-se realizadora de Castings para Pai Natal de 2016. 

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Às vezes baralho-me com os meus próprios ideais

A minha família não é muito funcional. Ou não o foi, totalmente, em tempos. Estive, e estou, em desacordo com alguns aspetos relacionados com a educação que me foi dada. Achava, e acho, que a minha mãe fazia algumas coisas erradas que, certamente, justificam algumas das dores do meu crescimento. Achava, e acho, que era uma pessoa rígida e, por vezes, inflexível; austera numas coisas e, surpreendentemente, compreensiva noutras; ela defendia a máxima "Quero, posso e mando", no entanto, acredito que se tivesse ficado grávida aos 18 anos, ela aceitaria. Achava, e acho, que ela dizia as coisas erradas acerca de pessoas que me eram certas, tais como o meu pai. Achava, e acho, que ela não teve a preocupação em proteger-me de determinadas coisas. Achava, e acho, que não conseguiu proporcionar-me o equilíbrio desejado - até aos 3/4 anos sufocou-me, depois, exigiu de mim a autonomia de que me privara antes. Dizia-mo e eu sentia-me, muitas vezes, inferiorizada por isso. Senti-me sozinha algumas vezes e sofri com isso.
Apesar de tudo, tenho a certeza de que alguma coisa muito boa a minha mãe conseguiu fazer, porque conseguiu que eu, ela e a minha irmã formássemos uma irmandade forte e indestrutível . Uma chora do lado de lá e as outras arranjam maneira de lhe secar as lágrimas e de lhe devolver um pouco da esperança perdida; uma sofre uma desilusão e as outras têm a pretensão de que também sentem essa desilusão com a mesma intensidade. Este sentimento arrebatador e arrogante de que seremos sempre necessárias umas às outras e de que seremos sempre suficientes para nos acudirmos e resolvermos os problemas umas das outras supera, incomparavelmente, tudo o resto. E é por isto que eu, às vezes, me baralho com os meus próprios ideais. Será que eu e a minha irmã, com todas as nossas ideias, seremos capazes de transmitir isto aos nossos filhos? É que isto é, inegavelmente, maravilhoso.
Pode ter existido uma ou outra situação em que não foi exatamente assim, mas na maioria das vezes é. Acho que isto é instinto de sobrevivência: assim, somos mais fortes para enfrentar as adversidades da vida; assim somos mais capazes.
Obrigada por isto, mãe.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Reflexões profundas (ou não) #14 - Mas está tudo grávido!?

Comecei a ler alguns blogues quando fiquei grávida. Primeiro, queria ver fotografias bonitas; depois, ideias de quartos; logo a seguir, queria histórias com final feliz; depois, queria descobrir listas de nomes. E assim fui conhecendo um pouco desse mundo imenso que é a blogosfera. Tenho uma amiga que tem um blogue há anos, mas como nunca fui dada a tecnologias, nunca imaginei ter um. 
Entretanto, fui descobrindo novos blogues, outros foram surgindo. Uns leio com mais frequência, outros vou espreitando de vez em quando. A verdade é que a frequência com que vejo blogues não é a mesma de quando estava grávida. Os dias têm menos horas disponíveis.
Na minha última "Digressão Blogosférica", aquelas viagens virtuais em que começo a ver todos os blogues de que me lembro, deparei-me com notícias de novas gravidezes quase a cada clic. Li um blog, a autora está grávida; li outro, a notícia repete-se; abri o terceiro já a pensar nessa hipótese, e não é que a novidade é a mesma! O que é que aconteceu!? Alguma campanha que me escapou? Algum concurso? Algum incentivo ao aumento da taxa de natalidade? O que é que aconteceu!?
Quando for grande quero ser Educadora ou Professora, por isso é bom que a taxa de natalidade aumente. Não sendo Educadora ou Professora, a alternativa é tornar-me na primeira Espanta Pardais Real. Assim sendo, e desconhecendo se esta profissão tem saída, agradeço todo o apoio que me puderem dar no que respeita a ser Educadora/Professora. Fica já aqui o meu agradecimento.


Nota: Esta imagem é a capa do Livro "Espanta Pardais" de Maria Rosa Colaço.

Atualização: Uma colega minha está grávida, uma amiga do pai lá de casa está grávida. 
Mãe, não me vais dizer que vou ter um irmão, pois não!? Ah, que alívio, já não podes dar notícias destas. 

Reflexões profundas (ou não) #13 - E porque é Natal...

Há pessoas que se dão mal com a sogra. Há pessoas que se dão bem com a sogra. E, depois, há pessoas que se dão mal com a sogra e bem com a ex-sogra (que, na verdade, nunca chegou a sê-lo, foi apenas uma espécie de candidata ao cargo).
Desejo a todas as boas sogras e a todas as boas ex-sogras que tenham uma vida Feliz. Às outras, desejo que não chateiem. Apenas isto.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Reflexões profundas (ou não) #12 - A Era que era para ser do Pai Natal

Ontem, enquanto o conduzia até casa, falei-lhe do Pai Natal. 
Ele perguntou-me: O Pai Natal é o Pai? 
...
Temo não conseguir guardar segredo, relativamente à identidade do Pai Natal, até aos 3 anos; quanto mais até aos 18... Ai a minha vida! Mas quem é que teve a ideia de dar o nome Pai (como primeiro nome) ao Pai Natal!? É claro que os miúdos se baralham. Até eu!

Para se perceber o título desta mensagem: Aqui
Esta fala dos meus receios em que ele descubra que o Pai Natal não existe. A verdade, verdadinha, é que ele existe.
Filho, acredita: haverá sempre um Pai Natal na tua vida. E uma Mãe Natal, vá. A igualdade de direitos é boa e eu gosto.


Atenção: Nem este é o Pai da criança, nem esta é a profissão do dito. Esta imagem é apenas para ilustrar esta espécie de luta silenciosa que pra aqui vai. Imagem daqui.

Pai - 1
Pai Natal - 0

Já no outro duelo, O Pai Natal perdeu. Vou ter de inverter esta tendência.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Árvore de Natal e outros assuntos Natalícios / Grandes livros para pequenos leitores #7 - O Pai Natal e o Menino Jesus

Já a fizemos tarde, é verdade, mas não há qualquer problema. Foi feita ao som de uma música natalícia, com um rapazinho eufórico e a dançar, a querer ajudar. A ajuda, já se sabe, não foi muita, mas o que conta é a intenção das coisas. Quando estava quase concluída, peguei nele ao colo e foi ele que colocou a estrela no topo da nossa árvore. A nossa árvore tem 3 corações de madeira: eu, ele e o pai. Eu expliquei-lhe isso. Tem botas, tem fitas, tem sombrinhas de madeira, tem o pai Natal, tem maças de madeira, tem bolas e tem luzes. Dormimos com as luzes da árvore ligadas. Ele diz que é a nossa árvore e que é grande. Hoje de manhã quis vê-la antes de sair de casa. Não tem prendas, elas só chegarão na noite de Natal.
Há dias perguntaram-me (já duas ou três pessoas) se ele já pediu as prendas ao Pai Natal. Respondi que não. A verdade é que, apesar de gostar da euforia deste mês, ainda não o incentivei a pedir prendas ao Pai Natal, ainda não lhe expliquei muito bem que história é essa a de aparecer um senhor chamado Pai Natal que traz prendas. Ele quer brinquedos, principalmente quando vamos ao Hipermercado ou a qualquer loja que os tenha, mas não por ser Natal.
Tive de encontrar uma maneira de lhe falar do Pai Natal, até porque quero que fantasie esta época que pode ser tão rica em experiências e em memórias. Anteontem, comprei mais um livro (este mês é mesmo a loucura no que respeita a compra de livros) que falava precisamente de o Pai Natal se ter esquecido de decorar a floresta para o dia de Natal. Assim, ficou justificado, por analogia, o meu atraso em fazer a árvore de Natal - se bem que ele não tem noção se a árvore foi feita no dia 1, no dia 8 ou no dia 14 de Dezembro. Fala da ajuda que o pai Natal tem dos Elfos e da aventura que é conseguir distribuir as prendas na noite de Natal; fala de 3 crianças que recebem três presentes, um para cada uma; fala de uma gato que, ansioso e confiante de que vai receber prendas, tal como as crianças, considera que os papéis de embrulho amachucados e as fitas de embrulho são os seus presentes de Natal. Continuei sem lhe perguntar que prenda é que ele quer pedir ao Pai Natal. Quero que ele viva a fantasia do Natal, mas que valorize o lado humano das histórias que se contam em torno desta época - talvez para o ano escreva uma carta ao Pai Natal. O livro que comprei passou a ser o seu companheiro de dia e de noite, já que ele o quer levar para a Ama e dormir com ele. Há magia no ar e eu gosto disto. Isto, para mim, é Natal.
Tentei dosear os brinquedos que se vão comprar este Natal pelo simples facto de querer que ele os valorize. Se forem muitos, a atenção dispersa-se o que, na minha opinião, torna o momento menos especial.
Entretanto, e porque compro um e fico de olho noutro, descobri "O Pai Natal e o Menino Jesus"... Talvez fique para o ano.


Este livro fala do lado comercial do Natal, desvalorizando-o. Pessoalmente, acho que é importante que se valorizem outras coisas; cada vez mais, sou adepta de boas experiências nesta época em vez de grandes e/ou muitas prendas. Este livro fala do menino Jesus; e eu acho que não lhe devemos tirar o protagonismo em detrimento do Pai Natal; eu acho que os dois podem e devem fazer parte das histórias e das tradições desta época.
É um Livro de Luísa  Ducla Soares, com ilustração de Maria João Lopes, da Civilização Editora.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A verdade é que eu queria ser mãe a tempo inteiro

O meu filho ficou comigo a tempo inteiro até aos 9 meses. Ficou comigo a meio tempo entre os 9 e os 13 meses (a minha mãe ficava com ele 4/5 horas, às vezes menos). O meu filho ficou com a minha mãe a tempo inteiro entre os 13 e os 18 meses. E desde então está com a Ama. A pessoa com quem está, tirando a minha mãe ou a minha avó (noutros tempos, hoje a minha avó já não consegue ficar com ele), é a única pessoa a quem confiamos o nosso filho. Se ela não existisse, a solução seria a creche. 
Aos 18 meses, a adaptação foi medonha; para mim, esta idade não era a ideal, mas não tive alternativa. Aproveitei uma semana de férias, de maneira a que a integração fosse gradual, mas foi difícil. Ele ficava sempre a chorar, desesperado, aflito e a gritar por mim. Eu saía de lá a chorar. Telefonava para o pai e dizia que não conseguia. Ele estava com dificuldades. E eu também. Ele chamava por mim várias vezes ao longo do dia. Eu sentia que estava a falhar com ele: como é que eu o podia deixar naquele sofrimento, logo eu que o devia proteger de tudo. 
O tempo foi passando e ele foi-se adaptando. Chegou o dia em que esticou os braços para ir para o colo da Ama. Fiquei feliz, tão feliz. Começou a ter as suas rotinas e a gostar de estar lá. Passeavam muito. Começou a chamar pela Ama em casa. Eu fiquei feliz com isto. Hoje, o menino que estava com ele já não está, foi viver para a China (terra dos pais). O tempo está mais frio, os dias são mais pequenos e não há tantos passeios. Quando chego ao pé dele já é quase de noite e já não vamos ao parque tantas vezes. Sinto-o mais triste, sinto que quer estar mais tempo connosco. Nos últimos dias, pergunta-nos sempre se vamos trabalhar. Diz que não quer ir para a Ama. No outro dia, disse ao pai que também queria ir trabalhar. Se sou eu a ir deixá-lo de manhã (não é habitual) chora. E o meu coração fica pequeno. Tenho de encontrar uma alternativa. Preciso de o sentir bem. Sinto que ele precisa de mais atividade, de correr mais, de brincar mais, de mais espaço, de mais gente.
A verdade é que queria ser eu a ficar com ele. A verdade é que eu queria ser mãe a tempo inteiro.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

A brincar é que a gente (pequena) se entende #6 / Grandes livros para pequenos leitores #6 - Rato do Campo e Rato da Cidade

Gosto de livros infantis (nota-se). Gosto muito. Comprei o primeiro livro para o meu filho quando estava grávida e sempre que posso ofereço-lhe um. Gostava de comprar, pelo menos, 1 livro por mês, mas nem sempre é possível. Por vezes, os que gosto ou os que idealizo comprar (alusivos a alguma época especial, por exemplo) são mais caros; existem outras prioridades e acabo por abdicar desta compra. Assim sendo, não posso dizer que exista, por estas bandas, uma periodicidade definida para comprar livros. Mas se eu pudesse... Ai, se eu pudesse tinha uma Biblioteca Infantil e todos os Sábados convidava amigos para usufruírem da preciosidade deste sítio encantado e imaginado. Inventava brincadeiras e cantos especiais:
1º) Construía uma mini loja. No dia da inauguração entregava 4 notas (de brincar) a cada criança convidada e cada uma delas podia comprar (ficticiamente) 4 livros por mês - se a criança comprasse os 4 livros no primeiro dia do mês, teria de aguardar pelo próximo para realizar novas compras. Cada criança teria de devolver todos os livros até ao final de cada mês - por cada livro devolvido, a criança recebia uma nota. Este espaço teria uma caixa registadora, papel de embrulho, tesoura e fita cola, de maneira a que as crianças pudessem simular o trabalho numa livraria. Os colaboradores da livraria seriam rotativos (não podiam ser sempre os mesmos).
2º) Criava o Dia da Troca, em que cada criança trazia 1 livro para emprestar. Em troca, levava um para ler durante um determinado período de tempo.
3º) Criava um espaço livre, no qual cada criança usufruía dos livros da forma que quisesse.
4º) Criava a hora do Cinema, com filmes diferentes todas as semanas.
5º) Criava o Dia do Conto, em que cada criança, individualmente ou em grupo, contava uma história.
6º) ...

No outro dia, chamou-me a atenção um expositor de livros no Pingo Doce com alguns contos tradicionais. Procurei entre os mais baratos e deparei-me com a história "Rato do Campo e Rato da Cidade". Esta história é-me especial; fiz uma dramatização desta história, com uma colega de escola, numa caixa de cartão e lembro-me bem do gozo que a preparação disto nos deu. Também nos deu trabalho (fazer o cenário, as personagens, ensaiar o manuseamento das personagens e os diálogos), mas valeu a pena. O objetivo era reproduzir uma história de Alice Vieira e a nossa escolha recaiu sobre este livro: 


Esta versão da história começa com cada um dos Ratos a imaginar como seria viver no lugar do outro - o do Campo imagina como seria viver na Cidade, o da Cidade suspira por viver no Campo. Um dia, decidem trocar de lugar, vivem novas experiências e deparam-se com perigos que, até àquele momento, desconheciam. No final, anuem que viajar é bom, mas o melhor de tudo é regressar a casa. Quem viaja muito (não é bem o meu caso) conhece esta sensação. Também nos pode levar à conclusão de que o que já temos é, efetivamente, o mais importante para nós. Da mesma maneira que nos pode levar a valorizar mais o que temos e menos o que não temos. Julgo que pode ter várias interpretações e transmitir várias mensagens. Para além da dramatização, julgo que uma discussão acerca das hipotéticas interpretações da história pode ser uma atividade enriquecedora.
Voltando à prateleira do supermercado, como não tenho este livro (requisitei-o na biblioteca na altura em que fiz a dramatização), comprei-o naquele dia. A mensagem transmitida pode ser a mesma, mas há diferenças: apenas o Rato do Campo viaja para a cidade, no seguimento de um convite feito pelo seu amigo, Rato da Cidade. Gosto do livro, o meu filho adora-o, pede-me várias vezes para o ler, no entanto, tenho um carinho especial pela primeira versão, a de Alice Vieira, talvez porque foi a primeira que li.
Da coleção "Histórias de Encantar" do Pingo Doce, para além deste, temos o Pinóquio e o João sem medo. São livros que custam menos de 3€ e, desta forma, não há desculpa para não comprar um livro por mês. Comprei dois no mesmo dia e o pai, entretanto, já comprou o terceiro. Cada livro traz um CD com a narração da história, mas confesso que prefiro ser eu a lê-la. Gostei de descobrir esta coleção, gosto das ilustrações, adoro Contos Tradicionais. Tenho de encontrar o dos Três Porquinhos.

Conto aqui como me encantei pela Literatura Infantil.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

À conversa com o meu filho #2 / Grandes livros para pequenos leitores #5 - Feliz Natal Lobo Mau

Eu perguntei: Filho, quem é que vai descer pela Chaminé na Noite de Natal? 
Ele respondeu: O Lobo Mau. 

Das três uma: 
1) O miúdo já sabe que o Pai Natal não existe. Isto é, definitivamente, um assunto sério que tem de ser remediado. O miúdo só pode descobrir a verdade lá para os 18 anos, combinado?
2) O miúdo já percebeu que há vários Lobos Maus a entrarem-nos pela casa dentro (seja pela chaminé, pela porta ou pelos débitos virtuais, mas reais, da conta bancária). Não faltará muito para ele me dizer que o porquinho onde coloca as moedas não está seguro na minha cómoda.
3) O miúdo levou o ano inteiro a ouvir a história dos Três Porquinhos e, consequentemente, a famosa cena em que o Lobo Mau entra pela Chaminé e queima o rabo. Agora, aparece-lhe um barrigudo de Barba Branca, que ele nunca viu mais gordo, chamado Pai Natal (Pai, ele só conhece um, é o lá de casa e mais nenhum) a querer fazer o mesmo numa outra história, mas sem a parte mais engraçada que é a de queimar o rabo... Qual é a história que o miúdo prefere? 
Lobo Mau - 1
Pai Natal - 0

E a propósito de andar à procura de uma imagem para ilustrar este texto, deparei-me com este livro. 


Ainda não o li, mas a próxima paragem numa livraria incluirá, obrigatoriamente, a leitura deste livro. Parece-me adequado para explicar ao miúdo qual é o papel de cada um destes personagens perante a chaminé. Não conheço a história, muito menos o desfecho, mas preciso de o ler urgentemente. Vou só ali e volto já! Se demorar muito, ficam já aqui os meus votos de um Feliz Natal.

Olá Dezembro de 2015

E assim se chega à última folha do calendário de 2015. Com desejos especiais, com votos genuínos de Felicidade, com promessas cumpridas. Só se lamenta o facto de os desejos, por vezes, não serem os melhores para todos, que o conceito de Felicidade não seja definido de acordo com a melhor natureza de cada um de nós e que as promessas que se cumprem nem sempre sejam as mais importantes. 
Para mim, a reunião e união da família, os almoços, os convívios, o espírito de festa, o estar com as pessoas de quem gosto, o querer fazer uma surpresa, o querer e gostar de encontrar o presente perfeito para cada pessoa, são alguns dos motivos que me fazem gostar desta época. Agora, no papel de mãe, valorizo (ainda mais) as memórias que se guardam desta época e as tradições que se criam. Passei a dar mais valor ao significado das pequenas coisas: fazer a árvore com acessórios que têm significado para nós ou que nos representam; cantar músicas de Natal no dia de Natal; ler uma nova história; fazer um passeio especial... Eu gosto de Dezembro, eu gosto do Natal. Bem-vindo!

Créditos de imagem: M.O.D

Dezembro, passa devagar, passa muito devagar. Agradecida.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Adeus meu querido mês de Novembro

Sais de cena para dar a vez a um mês encantado: a um mês bonito, apressado, comemorativo, solidário, frio, mas alegre e branco. Pelo menos, é assim que o vejo.
Meu Novembro, penúltimo mês do ano, digo-te adeus com uma sensação Agridoce. Foste melhor do que o mês de Outubro (não era preciso muito), mas não foste perfeito. Foram travadas algumas lutas durante alguns dos teus dias. Aconteceram coisas boas e algumas menos boas. Dúvidas e certezas. Altos e baixos. Com dias de muito sol e com dias de relâmpagos estrondosos... Mas, eis que me despedi de ti com vista para um arco-íris longínquo; não do alto da montanha, mas a caminho de lá. Para o ano quero ver-te de outra forma.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Ser diferente é normal...

O que não é normal é ser discriminado por isso. 
Não promovamos o afastamento da diferença, nem a intolerância, nem o isolamento.


Escola inclusiva?
Educar e aprender para a entreajuda e para o companheirismo?
Educar e aprender pelo respeito? 
Educar e aprender com as dificuldades e com as facilidades de todos (não são todos bons em tudo)?
Educar e sensibilizar todos (reforço TODOS) os pais e todas as comunidades?
Formar mais e melhor os Educadores e os Professores? Através de uma prática continuada, coletiva e reflexiva?
Preparar as escolas para a inclusão? Ter uma escola com mais recursos?
Criar mais Equipas Locais de Intervenção Precoce?
Potenciar a cooperação entre as várias áreas de Intervenção (nos casos em que existem)?
Sociedade inclusiva?
Mundo inclusivo?
Ser-se mais Humano? 
SIM, ser-se melhor. 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

À conversa com o meu filho #1 / Barómetro de crescimento #7

- Filho, olha que tu cais - digo eu, quando ele tenta fazer do fraldário um insuflável.
- A mãe, depois, apanha - responde ele.
Mal sabe ele que o apanharei sempre que ele precisar.

*
- Filho o que é que estás a fazer?
- Brincadeiras.
Ele julga que brincadeiras e asneiras são a mesma coisa.

*
- Ai nossa Senhora da Agrela! - imita-me ele.

*
- Mau Maria - digo eu.
- Que o gato já mia - responde ele.
Não há reclamações a fazer, o miúdo já sabe alguns Provérbios.

*
- Não comas tudo, cavalo! - digo eu, enquanto simulo que dou uma colher de sopa ao cavalo.
- Mamã, o cavalo não abre a boca! - responde ele, como quem diz: não sejas parva, eu sei bem que esse cavalo não come.
Ontem, eu podia dizer que as estrelas iam dormir, que a lua estava a chegar ou que o vento ia para a casa dele. Hoje, ele contra-argumenta, fazendo-me passar por uma pessoa tonta que tem conversas sem qualquer sentido.

*
- Ele está a crescer, não é? - pergunto-me.
- Sim, basicamente ele está a crescer desde o dia em que nasceu; aliás, ele está a crescer desde o dia em que foi concebido. Já devias estar habituada, nunca foi diferente - respondo-me.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Não é por ser meu filho...

Claro que é por ser meu filho. Se não fosse meu filho, este texto não era meu. É por ser meu filho que tudo o que ele faz tem tanta importância, é tão engraçado, tem tanto interesse e faz-me tão feliz. É por ele ser meu filho e por eu ser mãe dele que tudo é escrito com tanto amor, mesmo as coisas menos boas. 
É por ele ser meu filho que ralho, mas vibro, quando ele tenta despejar uma embalagem de soro fisiológico nos meus sapatos ou quando ele desenrola um rolo de papel higiénico em 2 segundos. É por ele ser meu filho que adoro: Quando me pergunta "então, não estás a ouvir", depois de falar para mim e eu não lhe responder; Quando me pede desculpa; Quando me diz que temos de comprar um cavalo à prima, na noite em que me zanguei com ele porque ele lhe bateu; Quando não dorme com a chucha há uns dias, porque a chucha branca está rota e a verde "desapareceu"; Quando me diz que tenho de comprar outra chucha; Quando me pede para dormir na cama nova; Quando imita o Lobo Mau da história "Os três porquinhos"; Quando simula que anda de skate; Quando descasca e come a banana às escondidas; Quando enxota as moscas; Quando tenta calçar as pantufas; Quando calça as botas da prima e parece o Gato das Botas; Quando faz da barra protetora da cama um cavalo; Quando me chama e o encontro escondido (mal escondido), encolhido, dentro da arca dos brinquedos; Quando me pede para ouvir o "Fungagá da bicharada"; Quando pede para colocarmos o redutor na sanita porque quer fazer chichi; Quando faz chichi na sanita; Quando vê a prima e grita de felicidade; Quando vê a prima a abraçar a avó e abraça-a também; Quando dormimos juntos (sempre) e me abraça durante a noite; Quando ele sorri. Bolas, quando ele sorri nasce o sol! E quando ele diz "gosto de ti"!? Gosto muito quando me dizem que gostam de mim, mas quando é ele a dizer-me... Gosto muito, muito mais.
Isto tem tudo muita graça, não há qualquer dúvida, mas é para mim. E um dia, quem sabe, para ele.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

27 de Novembro: o dia 27, seja lá de que mês for, é sempre especial

Duas meninas lindas que fazem anos hoje. Duas crianças que adoro, não fossem elas filhas de quem são. Dois presentes, um para cada uma das mães. Duas dádivas. Sentir alegria duas vezes por receber, neste dia, a notícia do nascimento. Dois seres a quem desejo muito, muito bem. Duas princesas aguardadas com euforia. Duas vezes parabéns e votos de felicidades para e por elas.
Lembro-me do dia em que cada uma nasceu - uma nasceu numa sexta feira, a outra numa terça feira; coincidência, os meus amores, a minha sobrinha e o meu filho, também nasceram nestes dias da semana, ela numa terça feira, ele numa sexta feira. Lembro-me de visitá-las ainda na maternidade (que penetra). Lembro-me de alguns trejeitos de cada uma. Lembro-me dos caracóis selvagens de uma e do cabelo dourado da outra. Lembro-me de começar a comemorar (beber caipirinhas, portanto) a chegada da primeira mesmo sem saber que ela estava prestes a nascer. Lembro-me que o nascimento da segunda renovou-me a esperança que estava meio perdida.
Uma delas tem, hoje, o dobro da idade da outra. Ou uma delas tem, hoje, metade da idade da outra. 3 e 6 anos celebrados neste dia 27 de 2015. Uma é loira, a outra é morena. As duas são lindas de "morrer", deve ser do dia do nascimento. E eu, por vezes, "morro" de saudades das mães destas duas princesas e do tempo que já não volta.


Créditos de imagem: Malaquite Ilustrations

Hoje, não caminham nem brincam de mãos dadas, uma vez que há um mar de distância a separar-vos, no entanto, nesta data, imagino-vos sempre juntas; não só porque partilham este dia, mas também porque o bem que vos desejo tem a mesma medida: é infinito.
Parabéns às filhas e parabéns aos pais pelo presente que receberam nesta data, 27 de Novembro. 

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O mundo ao contrário

Ando para aqui a ensinar-te que não se bate; que devemos partilhar o que temos; que devemos dar abraços e beijinhos em vez de palmadas; que as pessoas ficam felizes quando lhes dás beijinhos e abraços e quando lhes sorris e dizes "Olá"; que és importante e amado; que podes sentir medo, mas que é importante que aprendas a enfrentá-lo, temos de arriscar para alcançar; que devemos ser verdadeiros connosco e com os outros; que devemos respeitar os outros e a sua natureza; que é bom ajudar os outros... E o mundo continua a contrariar tudo o que te quero transmitir; o mundo de hoje é, precisamente, o contrário do que procuro ensinar-te. Tantos a levantar a voz contra ajudar os outros; tantos a desrespeitar os outros; tantos a ver só um lado da moeda - o seu; tantos a matar em vez de abraçar e sorrir; tantos com medo; tantos a odiar em vez de amar. Desejo que ouças falar do que se está a passar no mundo numa aula de História. Que faça parte do passado; que mesmo recente, seja, definitivamente, passado.
Não me interessa saber qual é a raça ou a nacionalidade de cada bebé que vive no meu país, são todos bebés, são crianças como a minha. Talvez fosse preferível a raça/nacionalidade de cada um não ser reconhecível: nem através da fisionomia, nem através do vestuário, nem através dos costumes, nem através de documentos identificativos. Mas porque não? Que graça teria olhar à nossa volta e ver apenas o reflexo de nós mesmos? O que é que teríamos para aprender? Que experiências teríamos para partilhar? Não podemos ter medo, certo? Temos de respeitar as diferenças, não é? Então, resta-nos assumir que somos todos diferentes. Há coisas em comum, sempre haverão, mas no geral somos mesmo todos diferentes. Faremos sempre parte de alguns grupos e seremos sempre excluídos de outros. Assim é a vida, assim é a natureza. O que pode acontecer é que, por vezes, deixamos de pertencer a determinados grupos por reconhecer que existem outros melhores. 
Já que há tantas coisas neste mundo que são exatamente o contrário do que te quero transmitir, então, também há finais de histórias conhecidas que quero contrariar. No final da história contada por mim, o Lobo Mau passa a ser apenas Lobo, aprende a caminhar ao lado da Capuchinho Vermelho sem segundas intenções, sem ameaças, sem outro propósito que não o de caminhar e usufruir do caminho. 

Créditos de imagem: ILUSTRANA

Filho, não tenhas medo de ser diferente. Não tenhas medo de quem é diferente. Não tenhas medo de ir e vir, desde que o ir e vir não prejudique ninguém. Não tenhas medo de caminhar entre a multidão e de abraçares quem quiseres. Não tenhas medo de dizer o que pensas, o que gostas e o que não gostas. Não tenhas, nunca, medo de viver. Sê livre, com deveres cumpridos de forma espontânea, com direitos gozados, com alegria, com confiança, com respeito por ti e pelos outros, com a consciência tranquila. Vive bem, meu amor. Como alguém desejou um dia, tem um destino bonito. Vive sem medo.

domingo, 22 de novembro de 2015

Reflexões profundas (ou não) #11 - A Era do Pai

Oh gente enganadora, com que então os rapazes preferem sempre as mães! Tenho a dizer que a Era do Pai teve início lá em casa. Quer o pai, quer ir na carrinha do pai, quer que o pai o vista, quer brincar com o pai, quer comer com o pai, quer fazer chichi com o pai, quer que seja o pai a tirar-lhe os macacos do nariz, quer que o pai lhe tire a fralda cheia de cocó (yupiiiiiii), quer perfume como o pai, quer colocar os óculos porque o pai leva óculos. Não quer a mãe. Já me mandou, inclusive, para a casa do vento... Perguntei-lhe se queria mesmo que eu fosse para a dita casa (é que nem sei onde vive o vento); disse-lhe que, assim sendo, ia. Ele respondeu que não (yupiiiiiii). Posso ir de férias, é isso? Não estava preparada para isto. Acho que é normal, mas não estava à espera, o que é que querem!?
Vá lá que na única noite em que o deixámos a dormir sozinho no quarto dele, ele chamou pela MÃE!!! Ah, um dia desta semana, em que o fui deixar à Ama à hora de almoço, também não me queria deixar e acordou da sesta a chamar por mim. Hajam prémios de consolação para a mãe. E vivas à Era do Pai. :) 

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Ser velho e outras coisas

No outro dia, falava com alguém sobre outro alguém bem mais velho do que nós que tem Alzheimer. Já ouvi e falei sobre isto várias vezes, mas não de forma aprofundada. Naquele dia, não sei porquê, senti um aperto no peito ao falar daquela senhora velha (que nem sequer conheço) que não se lembra do passado, que não reconhece os filhos, que é vazia de recordações. Pensei em voz alta na aflição que deve ser ter aquela doença. Perante estes pensamentos, a pessoa com quem dialogava respondeu: Ela não sofre, ela não se lembra. 
Esta resposta só me inquietou ainda mais. Ela não sofre. Ela não tem saudades de quem não se lembra. Não guarda mágoa de quem a magoou. Não sente falta do que a sua mente não recorda. Então, o que é que ela é? Uma pessoa sem passado? Um DVD sem nenhum filme para ver? Uma máquina fotográfica sem cartão de memória? Um livro sem história, feito de páginas em branco? E o que é que vai recordar nos últimos minutos de vida? E para onde foram as vitórias que alcançou e as dificuldades que enfrentou que, para ela, nem uma miragem são? E a vida? E a vida que ela teve? E o amor? Ela lembrar-se-á do que é o amor? E guardará amizade por alguém?
O facto de não reconhecer os filhos e não sorrir pelo maior amor que se pode sentir foi, sem dúvida, o que mais me inquietou. Não é de ser velho que se tem medo, é das outras coisas. 

Reflexões profundas (ou não) #10 - A enganar o miúdo desde 2013

Como é que eu explico a um miúdo de 2 anos que a versão original do José Barata Moura é "Olha a bola Manel" e não "Olha a bola Mateus"? Eu adaptei a versão original à realidade lá de casa, cantava-lhe esta última versão quando ele era bebé. Agora é ele que a canta... Resta-me esperar que ele descubra sozinho e que me processe se achar que é caso para isso.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

No "quintal" da tua antiga casa

Vivias em Lisboa quando decidiste regressar ao teu país. Nunca senti que fosse uma escolha tua, uma vontade sentida. Senti-te muitas vezes com saudades dos teus, mas não me lembro de ver aquele brilhozinho nos olhos quando falavas em regressar. Acho que foi o facto de termos ficado desempregadas, a falta de oportunidades e a desesperança que ditaram o teu regresso. O vosso regresso. Tenho pena. Já não estavas cá quando o meu filho nasceu, logo tu que torceste tanto para que eu tivesse um bebé. Disseste-me muitas vezes, muito antes de eu decidir ser mãe, que devia ter um filho logo, que seria uma excelente mãe e que adoraria a experiência. Não te enganaste. Adoro ser mãe. Sempre te admirei, mas foi precisamente no papel de mãe que a minha admiração por ti despoletou. Hoje, queria ter-te mais perto, convidar-te para um almoço, ver-te chegar a um qualquer café de Lisboa, falar sobre os miúdos (os teus e o meu). Hoje, queria coisas simples, mas impossíveis, pelo menos para já.
Vivias perto da Gulbenkian, costumavas dizer que aquele Jardim era o quintal da tua casa. Que privilégio ter aquele quintal. Que privilégio estar a 5 minutos a pé daquela paz e poder usufruir daquela natureza. Era o teu quintal, eu fui lá no Sábado passado e lembrei-me de ti; eu e o meu filho, só os dois; fomos almoçar ao vegetariano que me apresentaste, lembras-te? E depois, andámos por lá a passear e a traquinar. Ele, para além da longa caminhada que o fez dormir uma sesta de 4 horas, fez das suas: Disse-lhe baixinho que queria ir à casa de banho, intenção esta que ele replicou em alta voz, de forma aldrabada, quando passámos por dois polícias: "a mamã quer fazer cocó"; olhámos para a escultura de Apolo e ele perguntou, com o dedo em riste, "o que é aquilo" e concluiu em voz alta que "aquilo" é a pilinha - ora que porra, se sabia porque é que perguntou; andou por lá aos pontapés a uma bola, numa das vezes aquele círculo perfeito que rebola foi travado por um "montinho" de dejetos (não sei se de cão, se de gato, se de quê); tentei fingir que aquela bola não era nossa, que tinha fugido, que o cão a tinha levado, mas ele quis a bola; o raio da bola, depois de "higienizada" com toalhitas, voltou connosco; molhou a camisola num chafariz; não se atirou para dentro de nenhum lago por sorte; mas apanhou e atirou pedrinhas com entusiasmo e com um sorriso nos olhos. Ele sim, com aquele brilhozinho nos olhos que não vi em ti quando partiste de cá. Espero que já o tenhas recuperado.
Hoje, partilho isto contigo, desta forma, porque não to consigo dizer pessoalmente na área da restauração das Twin Towers (Sete Rios) à hora de almoço... Lembras-te? Eu, tu e elas! Hoje, partilho isto contigo, desta forma, porque, como canta Sérgio Godinho, "há uns anos fiz um amigo e coisa mais preciosa no mundo não há". Saudades de ti.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Nos últimos dias...

Terminámos a semana passada com uma ida ao parque. Começámos o fim de semana passado com uma ida à Quinta. Iniciámos a semana com uma gripe. Terminamos esta semana com vontade de aproveitar o bom tempo que se faz sentir. Chamam-lhe o Verão de S. Martinho. 
Dizes muitas coisas, as tuas frases são mais completas. Argumentas. Defendes-te das acusações. Pedes "escupa" com o charme que te caracteriza e eu tento ser firme e resistir. Continuas a não conseguir verbalizar as frustrações, por isso a tua mão salta para a frente com muita facilidade quando as coisas não correm como esperas, no entanto, por vezes, consigo intervir a tempo, de maneira a perguntar-te se estás chateado, de maneira a que me digas com palavras o que te chateia. Quando te estou a vestir e te chateias, levantas a mão na minha direção. Agarro-a, olho-te nos olhos e digo que não, digo que isso não se faz. Tu evitas olhar-me nos olhos, reconheces que fazes mal e pedes-me desculpa. Eu digo que estou chateada contigo, mantenho um ar sério e continuo a vestir-te. Só depois de terminar o que tenho a fazer é que volto a conversar contigo. Tu , entretanto, olhas-me com atenção, tentas meter conversa comigo, falas de outras coisas. Eu resisto e no final arremato com "agora já está, não era necessário ter-me zangado contigo, sabes que a mãe tinha mesmo de te vestir, não sabes?". Eu desculpo-te, fazemos as pazes. Acho que percebes a mensagem. Às vezes verbalizo: Não gosto do que tu fizeste, mas gosto de ti.
Quando me zango contigo de manhã dizes que queres a Carmo. Espertalhão. Ela foi contigo ao parque, puxaste um brinquedo das mãos de uma amiga até consegui-lo, até magoá-la. Perguntei-te o que tinha acontecido, respondeste que fizeste mal e que a menina estava a chorar. Pedi-te para lhe pedires desculpa e para lhe dares um beijinho quando a encontrasses. Não sei se te vais lembrar, acho que isto tem de ser feito na hora.
Continuas a não ser muito adepto de beijinhos, mas, com jeito e paciência, já vais dando beijos e abraços. Às vezes, não muitas, dizes "Olá" a desconhecidos, eles olham-te, cumprimentam-te e sorriem. 
Na visita à quinta tirámos algumas fotografias. Ao olhar para elas no visor do telemóvel reparei que cresceste muito. Eu, que até acho que aproveito bem o tempo contigo e que te acompanho, de repente achei que tinha perdido alguma coisa. Do Verão até agora tiveste um pico de crescimento, pelo menos para mim.
Na quarta feira subimos a Avenida grande da nossa terra a pé. Corrias, escondias-te, aparecias e corrias na minha direção. Eu baixava-me e recebia-te de braços abertos.
Tu seduzes-nos com o teu sorriso, com o brilho do teu olhar vivo e com o teu ar traquina. Nós não te resistimos. Quando não acordas sozinho, acordamos-te com beijinhos, festas e olhares apaixonados. Continuamos apaixonados por ti, a verdade é essa. Acho que todos os pais sentem isto (ou quase todos). E ainda bem.
Fim de semana estamos a caminho e queremos aproveitar-te. Sol mantém-te por cá.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Olá Novembro de 2015

Dá-me hipótese de apanhar folhas e bolotas. De fazer pinturas e colagens. De beber chá quente e sorrir. De andar à chuva de mão dada com o meu filho. De curar a gripe. De serenar. De ir à escola. De brincar. De brindar. De ir ao cinema. De contemplar a natureza de coração cheio. De preparar Dezembro. De ser Feliz.


Créditos de imagem: M.O.D

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Adeus meu "querido" mês de Outubro

Tu, Outubro, sabes bem que não és um mês querido. Este ano não foi diferente, no entanto, não te dou assim tanta importância desde que o meu filho nasceu. Valores mais altos se levantam, já sabes.
Comemorei o Halloween de forma muito simples, com um filho mascarado, num almoço com um grupo de amigos, organizado para o efeito. Ele correu, brincou e embirrou. Podia ser um almoço por outro motivo qualquer, mas havendo uma comemoração no calendário, aproveitá-mo-la.
Levámos 3 folhas grandes de papel e colá-mo-las na parede do restaurante. Os miúdos desenharam, pintaram e riscaram - dependendo da idade, já se sabe, cada um fez o que quis e o que foi capaz. Levámos brinquedos, uma mesa e cadeiras à medida dos petizes. Conclusões óbvias:
- Todos querem o mesmo brinquedo, à mesma hora. É matemático. 
- As miúdas querem sempre o prato cor de rosa, em havendo só um, é preferível escondê-lo. 
- O carro que está na mão do vizinho é sempre melhor do que o meu. O objetivo da brincadeira é conseguir tirar os brinquedos que os outros têm na mão. E, eventualmente, evitar que me tirem o que tenho na minha.
- Se me tiram um brinquedo da mão/se quiserem o mesmo que eu, ofereço uma chapada. Ou choro. Ou grito. Ou esperneio. Vale tudo.
- É impossível almoçar calmamente, pelo menos os pais dos miúdos que têm entre 2 e 4 anos.
- É impossível manter uma conversa com uma duração superior a dois minutos.
- E combinar um almoço para os miúdos sem os miúdos!? Hã!? Boa ideia. Estou a brincar... Ou não. Nunca se saberá.
- Todos as crianças fazem traquinices - que inteligente que eu sou, ainda me arrisco a receber algum prémio por este desabafo... é óbvio, é apenas para relembrar este facto a mim mesma - e ainda bem.

Há quem chame ao dia 31 de Outubro o Dia das Bruxas. Concordo. Ou melhor, não concordo. Todo os dias do mês de Outubro foram dias de bruxas. No creo en brujas, pero que las hay, las hay!
Devem haver outras coisas para dizer em relação a Outubro de 2015, mas tenho pressa em despedir-me dele. Adeus Outubro, "baza".

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Projeto 12: Um pequeno (pequeníssimo) contributo para um mundo melhor, todos os meses, de Outubro 15 a Setembro 16

Filho, no seguimento da carta que escrevi por ocasião do teu 2º aniversário, decidi que quero, para já, realizar 12 pequenas ações que marquem a diferença até completares 3 anos de vida. Não serão grandes feitos, serão apenas pequenas atitudes que, espero, se tornem um exemplo para ti. São valores que quero transmitir pelo exemplo. E o exemplo começa agora. São pequenas decisões que podem marcar a diferença na nossa forma de estar na vida perante determinadas situações. São escolhas. São pequenas coisas que não fazemos com a regularidade que podíamos e/ou devíamos, porque, simplesmente, não refletimos sobre elas. São pequenas partes do mundo que quero mudar/melhorar.
A pequena ação do mês de Outubro foi muito simples. No dia do teu aniversário ofereceram-te dois brinquedos iguais. Numa situação normal, pegaríamos num deles, com o respetivo talão de compra, e rumaríamos à loja para trocá-lo. Preferimos não fazê-lo. Conversei com o pai e sugeri que oferecêssemos aquele presente a uma criança que não recebe brinquedos com a mesma regularidade com que tu recebes. Ele concordou. Àquele presente juntou-se um outro que, não sendo repetido, é muito semelhante a um que já tens. Vamos oferecer 2 presentes que não tiveram qualquer custo para nós, agimos apenas de forma diferente do habitual. Inicialmente, até ponderei trocar aquele brinquedo por um puzzle, mas quando quiser e puder compro-te um. Para ti, filho, mais um brinquedo ou menos um brinquedo não fará diferença, para outra criança, certamente, fará.

O título deste pequeno projeto pessoal é inspirado no título de um projeto de fotografia - cujo objetivo é fotografar os filhos, uma vez por semana, todas as semanas durante um ano. Talvez, daqui a algum tempo, eu consiga realizar uma pequena ação todas as semanas; talvez eu consiga "fotografar" uma pequena ação todas as semanas. Por agora, vamos tentar "fotografar" uma pequena ação todos os meses e, se possível, envolver-te.
É claro que tenho em consideração que tens apenas 2 anos. O teu entendimento em relação a determinadas coisas é, por enquanto, limitado. Não pretendo realçar as coisas menos boas que o nosso mundo contém, tu terás tempo para descobri-las. Pretendo, pelo contrário, dizer-te que há muitas coisas boas e podem existir muitas mais - imagina que muitos começam a fazer 12 pequenas ações (alguns já fazem muito mais). A verdade é que quero um mundo melhor para ti. Acredito que tudo pode ser melhor, depende de cada um de nós. É só isto que quero transmitir-te.


Créditos de imagem: Wishªcolor


Desejo, com todo o meu amor, um mundo melhor para ti. Desejo, simplesmente, um lugar melhor para nós (todos).

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Dois presentes, com 2 e 5 anos respetivamente, embrulhados em bolas de sabão

Já passou 1 mês, mas tenho de escrever sobre a festa de aniversários dos meus amores pequeninos.
No dia 27 de Setembro comemorámos o aniversário do meu filho e o da minha sobrinha. Em Setembro, ele fez dois anos, ela cinco. Decidimos fazer uma festa para os dois porque, em conjunto, foi possível realizar uma festa à medida dos nossos sonhos. Alugámos um espaço num colégio porque nos pareceu adequado para as crianças, afinal a festa é para elas. Um espaço ao ar livre com relva, escorregas e brinquedos diversos, nomeadamente, bicicletas, bolas e cozinhas. Se chovesse tínhamos uma sala grande à disposição, mas não choveu.
Iniciámos um mealheiro há um ano atrás e foi assim que pagámos o aluguer do espaço. Já iniciámos o do próximo ano. Parecendo que não, ajuda muito.
Os temas foram definidos: A Violeta (foi ela que escolheu) e os Piratas (a mãe dele, eu portanto, é que escolheu). Comprámos elementos decorativos com pormenores a condizer com os temas. Fizemos duas grandes mesas, cada uma com o seu tema. Comprámos salgados caseiros, nós e familiares fizemos os doces (eu, que sou a "rainha" da cozinha, fui incumbida de fazer a gelatina... como sabem, é muito difícil fazer gelatina, requer talento e paciência, é um trabalho complexo, daí terem delegado esta responsabilidade na minha pessoa), comprámos bebidas e alguns doces, fizemos sandes de queijo/fiambre/tomate cherry, cortámos frutas. Eu e o pai do Índio Pirata fizemos um barco de Pirata no qual colocámos as frutas. Eu idealizei a coisa - leia-se pesquisei na Internet - o pai executou. Alguém tem de ser o cérebro da operação, certo?  
Os dois aniversariantes foram as primeiras crianças a chegar à festa, estavam felizes da vida. Ele porque viu naquele espaço a hipótese de correr, brincar e explorar. Ela porque sentiu orgulho em poder receber os amigos naquele espaço. E pela brincadeira que o mesmo proporcionou, claro. 
As crianças correram e brincaram. Os adultos conversaram e, sem saírem do sítio de conversa, observavam os pequenos, já que o espaço, apesar de amplo, permita o contacto visual com toda a gente. Foi muito bom. Uns sentados em cadeiras, outros na relva. Uns de copo na mão, outros de rissol na boca. Outros de rabo para o ar a levantar o bebé que caiu. Miúdos a correr, miúdos a andar de bicicleta, miúdos a lutar pelos brinquedos da cozinha, miúdos a descer o escorrega, miúdos a brincar aos detetives, miúdos de espada na mão e de bola no pé, miúdos a fazer birras. Enfim, o normal. Brincadeiras livres, sem animação programada, brincadeiras à medida de cada um, já que cada um brincou como quis. Entre grandes e pequenos eram quase 100 pessoas. Foram 3/4 horas de festa pura.
O momento alto foi o de cantar os Parabéns. Antes da cantoria propriamente dita, oferecemos bolas de sabão e gaitas de papel (não sei como é que aquilo se chama) às crianças. Passados poucos minutos, tínhamos uma paisagem de bolas de sabão iluminada por um candeeiro de sol; bolas grandes, bolas pequenas, umas  lá em cima, outras pela altura dos nossos joelhos, uma bela paisagem. Segundos depois, tínhamos uma banda filarmónica desafinada a apitar, com ritmos e tons diferentes, imperfeitos e desafinados, dirigida pelos aspirantes a músicos. O brilho nos olhos e a euforia das crianças valeu a pena, valeu pelo esforço de procurar o presente ideal para oferecer aos convidados (na verdade, eu sabia o que queria, são coisas comuns em festas de crianças, mas tinha de encontrar coisas à medida do orçamento que tinha definido). Eu, que dias antes me perguntava por que raio, agora, se oferecem prendas aos convidados, rendi-me. Decidi que não daria doces a ninguém e foi o melhor que fiz. A minha querida irmã alinhou nos doces e, depois, andou a pedinchar gaitas. Gaita da miúda, eu bem que a avisei.
Depois, duas mesas pequenas no meio da relva, cada uma com um bolo (diferentes por fora, iguais por dentro). O cantar os parabéns duas vezes, a dois amores, pela comemoração do nascimento de cada um. Nasceram-nos dois presentes há 2 e 5 anos, respetivamente. Dia 27 de Setembro de 2015 comemoraram juntos, embrulhados em bolas de sabão, os seus aniversários. E nós fomos ainda mais felizes, porque, com estas pequenas grandes experiências/vivências, esperamos que eles construam boas memórias.
Parabéns meus amores! Marcamos encontro na festa do próximo ano que, se for em conjunto, será em Outubro.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

24 meses de ti e o mundo que eu não sou capaz de te explicar

Filho, fizeste 2 anos e há coisas que, apesar de não conterem a alegria e a felicidade da celebração desta data, tenho de escrever. Temo não ser capaz de as explicar com palavras adequadas à tua idade. Preciso de escrever para, depois, definir como te transmitir o que não sou capaz de, agora, te explicar.
No seguimento da carta que te escrevi há 2 anos e uns dias (ver aqui), tenho a dizer-te que também existem mundos que eu não queria que conhecesses. Existem mundos que me amedrontam. Que me fazem sentir pequenina. Que me envergonham. Que me fazem dar passos para trás como de murros no estômago se tratassem. Que não me permitem conter as lágrimas que teimam em cair-me dos olhos, olhos estes que anseiam ver outro mundo para ti. Que me fazem suster a respiração, como se uma nuvem empoeirada pairasse sobre mim. Existem mundos que eu queria mudar. Por ti, por mim, por nós. Eu não queria escrever sobre eles porque preferia que não existissem. Mas existem. Existem mundos que eu não consigo compreender e, consequentemente, não sou capaz de te explicar. O meu ignorante raciocínio não consegue compreender as explicações apregoadas por alguns.
Mas, sabes filho, existem coisas que julgo ser capaz. Talvez eu seja capaz de te mostrar que, por outro lado, existe um mundo composto de gente, de seres humanos fortes e genuínos, mais emocionais do que racionais, capazes de ir mais além. Talvez eu seja capaz de te ensinar que, com convicção, com determinação e com amor, há muitas coisas que podemos mudar. Talvez eu seja capaz de te fazer acreditar - acreditar em ti, no mundo, nas pessoas. Acreditar sempre. Tenho mesmo de ser capaz. Por ti, por mim, por nós.

Há gentes do passado que fizeram descobertas grandiosas e gentes do presente que fazem a ciência evoluir a cada segundo. Ou não, já nem sei o que é evolução.
As gentes do passado descobriram e aperfeiçoaram meios de transporte que nos permitem percorrer o nosso mundo mais facilmente. Noutros tempos, a construção de uma canoa tinha como objetivo atravessar o rio para o outro lado. Hoje, com aviões a percorrer os céus e a deixar um rasto de giz (aquele risco branco que se vê cá de baixo, que me faz pedir desejos e ter esperança, não sei se sou só eu a fazer isto), continua a existir gente a ansiar pela canoa que atravessa o rio, camuflando o medo, enfrentado a morte e a acreditar. Em simultâneo, há gente convicta de que existem pessoas de cá e pessoas de lá, como se o "lá" e o "cá" não se situassem no mesmo mundo. No nosso. Como é que eu te explico isto?
Antepassados nossos descobriram e aperfeiçoaram as telecomunicações para nos tornarmos mais próximos, ainda que distantes fisicamente. Hoje em dia, as mensagens já não são enviadas pelo pombo-correio, mas continuam a existir pedidos de ajuda que não chegam ao recetor. Ou então, é o recetor que finge que os mesmos vêm numa língua não universal e que, por isso, podem ser ignorados. Como se uma mão a acenar no meio de um mar imenso não significasse um pedido de ajuda. Cá e lá. É linguagem universal, não há que enganar.
Descobriram a arma, vê só a "grande descoberta". Acredito que nos primórdios com vista a sobrevivência: caça e defesa. Hoje, consigo encontrar grupos e sub-grupos de armas na Internet, leis que legislam a utilização das mesmas. Mas não vejo o silêncio e a inércia punidos nesses livros de verdades absolutas. Do lado de cá do rio, com transportes evoluídos e com formas de comunicar inovadoras, em vez de se esticar o braço há quem baixe a cabeça e vire as costas. Há quem não vire as costas, há quem seja "corajoso", há quem olhe para o lado de lá e grite para as gentes da canoa "volta para trás", "o mundo é de todos, mas os todos de que falamos são só alguns". Esta prepotência também é uma arma. Mas a sua utilização não é punida. Como é que eu te explico isto?
Mas, sabes filho, também há os que lançam cordas para os que caem da canoa se agarrarem. Os que "entram mar adentro" para puxar a canoa carregada de medo e de esperança. Os que põem a emoção na força que usam e ignoram a reflexão e os motivos dos que não se vergam para puxar a corda. Eu quero ser dos que puxam a corda.
Um dia destes, sentiremos (na pele) os abraços virtuais enviados através de uma caixa com fios e luzes, chegados do outro lado do mundo e ficaremos felizes. Mas se o vizinho do lado precisar de um abraço, não sabemos como o fazer. Como é que eu te explico isto?

Filho, estamos a viver uma crise. A mim, parece-me a crise dos valores, dos direitos e dos deveres humanos, mas chamam-lhe a crise dos refugiados. É adequado, na medida em que é a crise dos que têm de deixar a única casa que conheceram para fugir da guerra, à procura de uma vida melhor. Dos que se atiram para dentro de barcos sem condições nenhumas porque tentam sobreviver. Dos que tentam derrubar barreiras físicas e humanas porque não querem morrer. Dos que procuram refúgio. Dos que procuram um porto seguro. Há mães que atiram os filhos para o desconhecido com esperança de os salvarem, correndo o risco de os perderem para sempre. Há crianças, filho, há crianças como tu que morrem nesta caminhada. Há quem se aproveite. Como é que eu te explico isto?
Neste mundo, que eu gostava que não existisse, também há os que morrem de fome e que não têm condições básicas de higiene nem cuidados básicos de saúde. Há crianças que são forçadas a trabalhar quando deviam lutar pelo baloiço do parque infantil que frequentas. Há crianças que, em vez de serem protegidas pelo simples motivo de serem crianças, pessoas e o amanhã, são maltratadas. E isto acontece em muitos sítios deste mundo (Cá e lá) que eu, por vezes, não sou capaz de te explicar.
Os que defendem que não se deve esticar a mão para puxar a canoa, cheia de gente de lá, têm argumentos. Muitos. Entoados com convicção. Mas eu não consigo compreendê-los, logo não consigo aceitá-los ou explicá-los. Um dia destes tentarei escrever sobre esses motivos, mas não para tos explicar. Não sou capaz.


Créditos de imagem: Bernardo P. Carvalho

Filho, a canoa traz gente de diferentes classes sociais, com diferentes convicções, com diferentes objetivos... Mas traz gente.
Fizeste 2 anos, meu grande amor pequenino, e o meu presente é explicar-te que podemos mudar estes mundos que eu, por vezes, não sou capaz de te explicar. Nem que seja uma pequena parte, tão pequena que é quase invisível. Felizmente, há muitos outros a mudar pequenas partes. Todos juntos faremos algo que se veja - melhor ainda, algo que se sinta. Acredita, filho. Eu acredito.
Eu acredito que, se consigo descobrir novos trilhos através dos teus pequenos passos, se consigo experimentar texturas através das tuas pequenas mãos, se consigo ver a beleza de olhar para o céu e desejar boa noite à lua quando me dizes que lá fora está escuro, se consigo ouvir os cães a ladrar e os pássaros a cantar no meio da confusão só porque tu me dizes "Olha, o cão!", "Olha, o passarinho!", se consigo reaprender a saborear alimentos só porque tu me perguntas "O qué ito?", também sou capaz de mudar alguma coisa. Por ti, por mim, por nós. Pelo mundo que eu, às vezes, não sou capaz de te explicar.
Menos explicações e mais ações que, espero, sejam um exemplo, é o meu presente de 2.º aniversário.
Parabéns filho, parabéns por ti, por mim, por nós e por estes 2 anos.

Carta escrita ao meu filho por ocasião do seu 2.º aniversário.